Cartunzinho

Para começar outubro 😉

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Cartunzinho

O tal ócio criativo

O termo vem lá do italiano Domenico de Masi e diz q “… o ócio, longe de ser negativo, é um fator que estimula a criatividade pessoal” (via Wikipedia). Nunca estudei isso a fundo, nem sei se pretendo, todavia vou-me aventurar a falar um pouco sobre o assunto, baseado unicamente em experiência pessoal.

Não sei se o q faço vem de momentos ócio, mas sou estimulado a criar desafios como formas de aprender coisas novas. Lembro-me q, em Salvador, para estudar aquarela, decidi participar de salões de humor. Naquela época os salões só aceitavam “artes tradicionais”, nada de arte digital. Então eu tinha um motivo para impulsionar o estudo. Claro q na bagagem eu ainda treinava o humor, a criatividade, disciplina de prazos, essas coisas. Mas não era um “estudo solto”, havia um propósito. Não estou fazendo apologia ao pragmatismo, porém sem foco, sem objetivo, a vontade inicial se perde e vai para outras coisas.

Criei tumblrs em que publicava o resultado dos meus “exercícios criativos”, q é o termo q prefiro usar. Meu trabalho me exige muitas vezes soluções rápidas, não tenho lá muito tempo para experimentar, testar. Então bolei saídas para “brincar” um pouco, tentar pelo menos algo diferente, sem exigências externas. Além de canalizar energia criativa, muitas vezes são essas experiências q me fornecem as “soluções rápidas” q uso no dia a dia. Mas a estrutura de tumblr é meio engessada. Eu precisava de algo mais…

Então veio a… programação! Resistindo “bravamente”, acabei cedendo. Acho q tudo vem a seu tempo e agora me sinto mais maduro (quem sabe?) para me arvorar neste universo e somar ao trabalho q já faço. Mais uma vez sem a cobrança, vou aos poucos pegando antigas (e novas) ideias q antes ocupavam outros suportes e vou remodelando-as, explorando recursos, criando algum tipo de diferencial em relação ao q já eram.

Tudo isso para introduzir mais uma dessas brincadeiras criativas, um projeto q nasceu num tumblr com o nome de 50 coisas redondas, uma alusão aos tais 50 tons de cinza. O blog ainda existe, mas peguei a ideia original, expandi-a um pouco e usei-a como estímulo para treinar HTML, CSS e Javascript. O resultado virou o 60 paradinhas redondas. Nesta versão expandida, explico o porquê de escolher o número 60 e porque a forma redonda. Acho serviu ao seu propósito: estudar!

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O tal ócio criativo

Surpresas que a vida nos revela

Ando naquela fase de questionar meu trabalho. É um período cíclico. Se o planeta passa por 4 estações climáticas e não há como escapar delas, então não me culpo mais por reviver sensações q, embora incomodem, ainda ousam (re)aparecer.

Para equilibrar as coisas, acredito nos bumerangues da vida: o q vc emite, uma hora retorna. E tive uma grata surpresa quando uma internauta, uma “facenauta” na verdade, entrou em contato comigo recentemente. Identificou-se como sobrinha de um ex-colega de trabalho (mundo pequeno), mas não foi isso q fez com q ela se motivasse a me procurar, mas sim um trabalho meu estampado nas páginas de um livro didático. Felizmente consigo emplacar um desenho ou outro do meu “material de gaveta” como gosto de dizer. Mas desta vez, além do desenho, a editora se interessou pelo meu texto. Isso aconteceu há alguns anos (acredito q o endereço virtual q consta no livro nem vai redirecionar mais para o link original, pois mudei o blog há algum tempo e o texto e as imagens faziam parte de um post dele). Foi uma dupla satisfação na época.

Anos mais tarde, em meio a uma “crise”, a iniciativa de uma jovem de 12 anos q gostou do q leu e viu; q se motivou a me procurar no facebook; q teve coragem de puxar papo e dar um feedback sobre meu trabalho fez com q eu não me deixasse abalar demais pelas marés emocionais. Procuro viver do meu trabalho, não faço apenas por prazer, busco ser remunerado pois a energia do dinheiro é outra coisa tão presente quanto as estações do ano q citei lá no começo do texto. Todavia há um retorno q a gente nem se dá conta muitas vezes: o poder q nosso trabalho tem de tocar, provocar e influenciar o outro.

Invadem-me os fantasmas da obsolescência, da comparação cruel com os outros, do mito do elefante (ou seria do tigre?) q vai envelhecendo e busca afastar-se do grupo pressentindo a morte q se aproxima. Coisas pesadas demais para quem ainda vai fazer 40 anos, mas quem passa por essas coisas sabe q a idade pouco importa. Entretanto a vida vai nos dizendo q, em meio às crises, se perseveramos, os bons frutos aparecem… e os fantasmas q assolem outros terrenos.

Aqui vai a foto da página do livro q a Ana Júlia me enviou;

Surpresas que a vida nos revela

O Monge e o Peixe

Local: sala Walter da Silveira (?), Salvador, Bahia. Data: indeterminada. Na programação daquele dia, um evento ligado à animação (?), um curta singelo, de timming “aceleradinho”, aquarelado, música perfeita para a história e um enredo q misturava humor e certa dose de surrealismo. O nome do filme: The Monk and the Fish. O autor: um homem cujo nome demorei  para pronunciar – Michaël Dudok de Wit. Após a exibição dos quase 6 minutos e 30 segundos, uma única reação: aplausos (o único filme que foi aplaudido naquele dia, se não me engano).

Local: cine Odeon, Rio de Janeiro. Data: 22 de julho de 2017. Na programação daquele dia, um evento ligado à animação (Animamundi), um “papo animado” com o já sexagenário autor do não apenas engraçado The Monk and the Fish, mas também do apaixonante e emocionante Father and Daughter (q me fez chorar mais uma vez…). Dudok brindou a plateia com simpatia, conteúdo e lições valiosas. Após quase 2 horas q passaram voando, uma única  reação: aplausos. O palestrante anterior tb fora aplaudido, mas Dudok foi o único ovacionado com a plateia em pé e por bastante tempo…

Queria ter tietado de perto, mas não foi possível. E se a vida fosse abrevida neste instante, tudo teria valido à pena.

Seguem os links dos curtas para comprovação do que eu digo… ou não.

Não resisti e fui pesquisar sobre a trilha de The Monk and the Fish, la Follia (ou A Folia), que lembra um clima renascentista, mas que tem uma “pegada rock’n’roll” em algumas partes da melodia. Segundo o Wikipedia:

Folia é uma dança surgida no século XV em Portugal cujo esquema harmônico-melódico foi, desde então, utilizado em centenas de variações feitas por mais 150 compositores, de Lully a Sergei Rachmaninov. É um dos mais antigos e recorrentes temas musicais europeus.

E segue um exemplo para verificação, de ninguém menos q Antonio Vivalvi:

Na “grande rede” é possível encontrar outras variações.

O Monge e o Peixe