Mais uma de Carnaval

Dando seguimento às postagens “temáticas” (juro q não é de propósito), segue mais um estudo bem simples (e olha q é simples mesmo) misturando 4 coisas: pontilhismo, carnaval, Mattotti e P5.

O pontilhismo é uma técnica de pintura e desenho em que as imagens são definidas por pequenas manchas ou pontos. No final do século XIX, essa técnica ganhou bastante visibilidade e Seurat e Signac foram seus maiores expoentes na Europa (apesar de ridicularizados na época).

A ideia de fragmentar uma imagem em unidades “elementares” é bastante antiga. Vamos encontrar muitos exemplos na antiguidade e no período bizantino na forma de mosaicos, por exemplo.

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Exemplo de mosaico, expressão típica na arte bizantina

Lorenzo Mattotti é um desenhista de histórias em quadrinhos e ilustrador da Itália. Dentre seus trabalhos, destaca-se um q ele fez para o livro Carnaval – Cores e Movimentos (Casa 21). São ilustrações coloridas e em preto e branco assinadas por ele, além de textos de autoria de renomados especialistas, cada um abordando um tema sobre a história, tradições e elementos do carnaval.

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Capa do livro Carnaval – Cores e Movimentos, com diversas ilustrações assinadas por Lorenzo Mattotti

Misturando essas ideias e algumas linhas de programação em P5, resolvi traduzir uma das imagens do livro usando “confetes digitais” como unidade de “pintura”.

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‘Árduo” trabalho de pontilhismo executado em P5 sobre uma das ilustrações do livro Carnaval – Cores e Movimentos

Basta clicar aqui ou sobre a imagem acima para ver a figura ganhar forma. Aconselho deixar o programa rodando enquanto vc curte o Carnaval. Volte mais tarde (ou na quarta-feira de cinzas!) para ver o resultado.

Mais uma de Carnaval

Peleja

1m x 0.7m
3 dias
9 horas

Segundo o dicionário, peleja é uma luta com ou sem armas, uma contenda, uma briga, uma disputa.

Felizmente (ou finalmente) consegui participar de uma sessão de desenho de modelo vivo ministrada por Bandeira de Mello, artista mineiro, de Leopoldina, nascido no final da década de 1920 e ainda na ativa. Alguns dos meus colegas e amigos já passaram pela experiência. Uma sessão, não. Três. Uma mesma pose durante 3 dias, em sessões q duram em média 3 horas (com intervalos, graças a Deus).

Para alguém q teve de se virar para desenhar e cujas sessões de modelo vivo eram para os famosos desenhos de 1, 5 ou 10 minutos, a tarefa de enfrentar 9 horas em uma única pose parece um desafio estafante ou impaciente. Tem lá sua verdade nisso. O primeiro dia foi como se tivesse saído de uma surra. Mente e corpo em frangalhos. Para completar, eu, q desenho no máximo na dimensão de um papel A3 (29,7x42cm), tive de enfrentar quase 1 metro quadrado de papel branco montado em um cavalete (as medidas do papel estão na primeira linha deste texto). A imponência do grande formato. Encaixar o modelo no hiperbólico retângulo já é por si só um desafio. Depois os outros: esboço da forma, anatomia, sombreamento.

Termino o primeiro dia satisfeito por pelo menos ter enquadrado a figura. Mas revendo o resultado, vi q “roubei” nas proporções para encaixar todo o corpo no papel. Não aguentei: pior o erro da paginação do q comprometer a pose e de quebra ainda errar o tamanho da perna da modelo. Resultado: um dos pés ficou de fora. A pose q escolhi é meio nível iniciante: não teve rosto nem mão pra desenhar. Pelo menos sobrou um dos pés para praticar o detalhe. Não q tenha sido fácil. A musculatura das costas é bastante trabalhosa e não me agradou o q fiz.

Só de vida profissional, Bandeira tem mais tempo do q eu de vida. Vencidas 4 décadas desta existência, devo ter 2 delas no ofício do desenho, num aprendizado irregular e sem inconstante. Ao menos o resultado me agradou no final, entre receios, vícios e virtudes.

Finalizo a primeira peleja, q é como Bandeira se refere ao ato de desenhar. Eu acho q no começo é meio uma briga, mesmo. Uma dia a gente ganha a luta, noutro a gente perde., como ele mesmo disse. Mas o importante é a vitória ao fim da batalha. Lutar o bom combate.

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Peleja

Wucius Wong em P5

Não lembro bem quando, mas faz tempo q comprei um livro de capa azul chamado Príncipios de Forma e Desenho, de Wucius Wong, um pintor chinês nascido em 1936, figura de destaque na arte contemporânea chinesa. Realmente eu queria me recordar o motivo da compra, mas o fato é q este é o tipo de livro q eu espero não ter q me desfazer.  A edição q eu tenho é de 1998. Entrei na faculdade de desenho industrial em 1997. E lá se vão mais de 20 anos desde a compra do livro. Atualmente estou numa “batalha”, lendo Sinais e Símbolos, do Adrian Frutiger. Digo batalha pq não se trata de um romance. É o tipo de livro q merece ser estudado. Assim que terminá-lo, quero ler (de verdade) o livro do Wucius Wong. Mas vamos falar um pouco mais sobre este último.

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Capa da edição de 1998, que saiu pela editora Martins Fontes

Todo em preto & branco, o autor chinês apresenta uma série de conceitos e exercícios de expressão bidimensional e tridimensional. O volume único na verdade é a compilação de 3 dos 4 livros escritos por Wong: Principles of Two-Dimensional Design, Principles of Three-Dimensional Design e Principles of Two-Dimensional Form. Ficou de fora o Principles of Color Design (até pq para este uma impressão em cores seria indispensável), mas já tá bom, pois o volume tem mais de 340 páginas. Lendo o prefácio e a orelha do livro, percebe-se uma coisa interessante: a presença da informática como ferramenta de expressão. O autor relata o quanto os desenhos ganharam em celeridade (e precisão) quando os programas gráficos computacionais entraram em cena. Talvez maravilhado com essa possibilidade o autor fizesse tanta questão em apresentar os programas q ele usou. Entretanto o curioso (quase engraçado) é notar q alguns dos programas citados ou não existem mais ou foram modificados, pois as recursos computacionais mudam muito rápido. O livro apresenta informações de escolha de programas, primeiros passos, setup básico de computador. Eu acho essa a parte mais “datada” da obra, quase dispensável para um leitor do século XXI q já nasce imerso em tecnologia.

Mas o material mais importante certamente não é esse. O livro é rico em padrões e composições muito bonitas e atraentes, algo q posso considerar como conteúdo atemporal pois se foi feito à mão ou usando um programa gráfico, o resultado visual é o mais impressionante. Padrões geométricos e figurativos encantam a humanidade desde a antiguidade e são quase um patrimônio da criação humana, tamanha é a sua presença nas mais diversas culturas e civilizações.

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Padrões e composições exemplificam os conceitos do livro. No canto inferior direito da página à direita está a imagem q serviu para um dos meus estudos

Diante dessa pluralidade de possibilidades de execução, pensei: poderia fazer algumas dessas composições usando programação “bruta”? Claro q um CorelDraw, um Illustrator ou mesmo um Inkscape são ferramentas mais amigáveis para fazer tais coisas, menos sofridas até. Todavia o desafio q me proponho é fazer alguns testes, algumas pontes entre o resultado figurativo gerado e os comandos de uma linguagem como “ferramentas” de desenho. Também é uma forma de aprender a traduzir o q vejo e treinar representar além do lápis e papel ou dos programa de computador.

Devo dizer q não é fácil, principalmente pela minha pouca bagagem ainda no terreno da programação, mas são bons desafios e exercícios. Apresento dois deles – q tb podem ser conferidos no meu perfil no Openprocessing.

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Uma das possibilidades que a programação abre é poder gerar figuras animadas, uma vez que todas as imagens dos livros são estáticas

 

Wucius Wong em P5

Love low poly

Eis mais um estudo usando uma linguagem das q mais gosto: o low poly.

Não restam dúvidas de q o virtuosismo técnico do 3D atrai multidões. Modelagens e renderings q beiram (ou ultrapassam) o mundo real são uma possibilidade dentro da computação gráfica… mas essa não é a única. Já fui “seduzido” por esse universo do realismo, mas desde cedo vi que não era a minha praia, nunca fui bom mesmo. Entretanto, quando estudei 3D, o low poly ainda não havia ganhado a projeção q alcançou tempos depois. Atualmente é possível encontrar muita coisa bem feita usando essa linguagem como escolha consciente – e não como uma limitação do artista 3D. Pra mim são as duas coisas: escolha de estilo e o reflexo ainda do meu estágio em computação gráfica. Mas não reclamo. Vou curtindo o processo. Com o tempo tudo vai evoluir: minha modelagem vai melhorar, a iluminação, dentre outras coisas, mas por ora os resultados obtidos com a simplicidade do low poly colocam um sorriso no meu rosto.

Uma das características principais do low poly é o uso de uma modelagem bastante limitada, bem poligonal. Para quem gosta de geometria é um prato cheio e faço parte deste grupo. Para “compensar” uma modelagem tão minimalista, a iluminação entra em cena e preenche o conjunto. Materiais simples, geralmente baseado em cores e o resto fica por conta do design das formas.

Há um bom tempo, rascunhei uma história usando as dimensões como tema: em uma terra de bidimensionais, uma figura tridimensional surge e, é claro, divide as opiniões. Os estudos a seguir não são para esta história, mas podem servir de caminho estético para sua realização… um dia quem sabe.

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Rascunho bem tosquinho para ambientar a cena. Seria quase um thumbnail
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Usei o Blender para modelar e renderizar a cena
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Estudo monocromático.
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Rendering finalizado no Photoshop

 

Love low poly

Ordem na casa

Não é de agora q venho divulgando os resultados dos meus estudos em Javascrpit/P5. Tudo ainda muito básico, iniciante mesmo. Todavia os resultados me agradam. Embora seja possível e confortável escrever os programas usando um editor de código – uso o Sublime Text -, o fato é q os editores online tb são muito bons e práticos, pois é possível ver o resultado em tempo real no próprio navegador.

Estava usando o editor do próprio site do P5, que eu considero muito bom. Todavia precisava de um repositório mais prático. Para tanto comecei a usar o OpenProcessing. Criei uma conta e agora é possível escrever, organizar e ainda adaptar códigos já existentes. O meu Traço Mágico inclusive ganhou uma versão em cores por um outro usuário da plataforma.

De agora em diante, todos os estudos estarão disponíveis no meu perfil. Ainda tenho bastante coisa para “subir” na plataforma, portanto, aguardem novidades!

Traço Mágico OpenProcessing

Ordem na casa