“- Science”. “- Arts”

Hoje, 22/02, é o dia da cerimônia do Oscar 2015. Resolvi batizar o post com um dos diálogos do filme sobre a vida do cientista Stephen Hawking e sua (ex) esposa. Não vi o filme ainda, mas parece ser a forma como os dois se conhecem e se apresentam na trama: o casamento da Ciência com a Arte.
Quando eu era criança, um dos meus sonhos era ser cientista. Fui daquelas crianças q mais estudou do q brincou, o conhecido CDF… Bom, acho q isso não se perde. Mas o fato é q estudar sempre teve uma importância e um valor muito grande na minha vida. Cresci cercado pelos livros de Matemática do meu pai, alguns tantos outros de Física e Química, um livro de sonetos do Vinícius (tinha uma capa em dourado e vermelho, q me atraía e muito), algum romance do Jorge Amado… Ainda hj qdo volto a Salvador e fico no apartamento onde cresci, os livros lá estão. Eu me deito na cama e levo um volume comigo. Corro sempre atrás de alguma ideia, alguma curiosidade. Na minha estante guardo e consulto os (poucos) livros de Matemática q faço questão de não me desfazer. Dia desses conversava com meu pai acerca do valor de se ter livros, apesar da internet, do e-book, do pdf lido no tablet… Tenho 2 sobrinhos… quero q eles gostem de livros também.

Foi na adolescência q eu deixei o sonho de ser engenheiro eletrônico e caí de cabeça nas Artes. Em essência, o trabalho de um cientista e de um artista não é muito diferente: ambos correm atrás do estudo, da experimentação, da investigação. O cientista debruça-se sobre tratados, teorias, utiliza um método de pesquisa, analisa, escreve, re-escreve… O artista tem nos seus pigmentos, papéis, metais, goivas, martelos, pincéis, cinzéis os instrumentos do seu “laboratório”; tem no legado de mestres do passado, na orientação de professores e colegas de estrada, na obra dos já consagrados o seu material de estudo. Ingênuo achar q o artista é movido apenas pela inspiração, pelo dom divino (tenho minha opinião a respeito do tema). Lembro de um documentário q mostrava o pintor Cezanne (se não me engano), arrumando os elementos de uma natureza morta para conseguir o melhor resultado, dentro de uma nova perspectiva de olhar e representar. Ali ele era um cientista da imagem.
Duas coisas podem nos fazer melhor do já fomos: a prática e a persistência. No sábado,  21/02, espalhei os papéis no chão do quarto, abri as tintas e me debrucei sobre eles. Num misto de estudo técnico, terapia e exercício de criatividade, Arte ainda é um dos meus melhores instrumentos de auto-conhecimento.

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