Maio em dose dupla

Este mês me deu dois grandes retornos profissionais. Primeiro, tive um trabalho selecionado no concurso realizado pela Orquestra Sinfônica da Petrobras para comemorar os 250 anos do aniversário de Ludwig Van Beethoven. Foi uma grata surpresa, pois enviei várias propostas e a selecionada foi exatamente aquela de q eu menos gostei. A caricatura q fiz concorreu nas categorias de júri popular e júri profissional e pode ser vista no perfil do instagram da orquestra. Não vou mentir q muito embora a pré-seleção já tenha sido uma vitória pra mim (eu nunca fui selecionado para uma votação popular e muito menos com um trabalho de caricatura), comecei a alimentar esperanças e expectativas, munição preciosa para um sentimento de frustração diante da “derrota”. Competições são alvo de minhas reflexões e não são de agora. Qual o principal objetivo de uma competição? Por que competir? Por que se sentir bem ao vencer? Por que se sentir mal ao… perder? Mas só se aprende fazendo. Não somos obrigados a participar de nada, mas só passando pelo desafio para conhecermos nossa “sombra” ou nossos “fantasmas”. Mas assim, sem cobranças. Essas coisas devem ser leves. E tudo é exercício.

Caricatura selecionada no Concurso Beethoven 250 anos, promovido pela Orquestra Sinfônica da Petrobras

O segundo retorno foi minha primeira exposição, montada virtualmente para atender às condições atuais decorrentes da pandemia do corona vírus. Realizada pelo Espaço Cultural do Colégio Pedro II, a exposição reúne cartuns, quadrinhos e outros desenhos meus coletados ao longo de mais de 10 anos usando redes sociais para divulgar meu trabalho. E esta é uma coisa q só me toquei por conta da exposição. Foram selecionados trabalhos meus datados de 2007 até os dias atuais. Serve como uma espécie de registro de trajetória. Mas a história começa bem antes disso. Meu primeiro cartum selecionado em um concurso, por exemplo, data de 2000, ou seja, até o presente momento seriam em torno de 20 anos de carreira…

Eu queria ter feito uma exposição quando fiz 40 anos. Não rolou. Queria uma parada tradicional, material impresso, festa de abertura, essas coisas. Mas recebo bem esta oportunidade em novo formato. É novidade inclusive para os organizadores, acostumados a realizar exposições nos “moldes tradicionais”. O fato é q a pandemia tem mexido com tudo, é uma chamada global à reinvenção, adaptação, mudanças.

Olhando para o “copo cheio”, uma coisa boa deste modelo de exposição é q ela terá caráter permanente, isto é, poderá ser vista e revista sem prazo pra terminar. Pode inclusive ser aumentada e atualizada. Bacana, não? Mas onde vc poderá ver tudo isso? Clique aqui e visite; e, se puder, divulgue; e receba minha gratidão.

Traços de Humor

Ah! e também foi dia de pagamento da minha loja virtual na Colab55, hahaha. Conhece? Não? Passa lá!

Maio em dose dupla

Mais uma de Carnaval

Dando seguimento às postagens “temáticas” (juro q não é de propósito), segue mais um estudo bem simples (e olha q é simples mesmo) misturando 4 coisas: pontilhismo, carnaval, Mattotti e P5.

O pontilhismo é uma técnica de pintura e desenho em que as imagens são definidas por pequenas manchas ou pontos. No final do século XIX, essa técnica ganhou bastante visibilidade e Seurat e Signac foram seus maiores expoentes na Europa (apesar de ridicularizados na época).

A ideia de fragmentar uma imagem em unidades “elementares” é bastante antiga. Vamos encontrar muitos exemplos na antiguidade e no período bizantino na forma de mosaicos, por exemplo.

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Exemplo de mosaico, expressão típica na arte bizantina

Lorenzo Mattotti é um desenhista de histórias em quadrinhos e ilustrador da Itália. Dentre seus trabalhos, destaca-se um q ele fez para o livro Carnaval – Cores e Movimentos (Casa 21). São ilustrações coloridas e em preto e branco assinadas por ele, além de textos de autoria de renomados especialistas, cada um abordando um tema sobre a história, tradições e elementos do carnaval.

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Capa do livro Carnaval – Cores e Movimentos, com diversas ilustrações assinadas por Lorenzo Mattotti

Misturando essas ideias e algumas linhas de programação em P5, resolvi traduzir uma das imagens do livro usando “confetes digitais” como unidade de “pintura”.

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‘Árduo” trabalho de pontilhismo executado em P5 sobre uma das ilustrações do livro Carnaval – Cores e Movimentos

Basta clicar aqui ou sobre a imagem acima para ver a figura ganhar forma. Aconselho deixar o programa rodando enquanto vc curte o Carnaval. Volte mais tarde (ou na quarta-feira de cinzas!) para ver o resultado.

Mais uma de Carnaval

Inspiração

Nasceu! Meu primeiro vídeo em q apresento um pouco de uma técnica q utilizo para finalizar alguns dos meus desenhos no papel. Dividido em duas partes, uma teórica e uma prática, a ideia aqui não é fazer o internauta copiar a técnica, mas inspirar, motivar, estimular. Digo isso pq ver outras pessoas trabalhando me estimula a fazer o meu trabalho.

Portanto, assistam e inspirem-se!

Inspiração

Grafitis…

… ou coisas q têm me dado prazer ultimamente.

O lápis grafite tem me acompanhado há um bom tempo, mas só agora ele começa a ganhar a “posição” de trabalho finalizado, não apenas a de estudo, sketch. Em meio ao meu já não tão novo trabalho como programador visual, o desenho vem ocupando outro espaço, com um timing bem diferente, o q permite me lançar em meios q precisam de tempo e paciência…

Grafitis…

Desenhar e correr na rua

Correr na rua é uma das atividades físicas mais baratas. Basta sair de casa… e correr! Claro q sem alguns cuidados, os prejuízos serão maiores q os benefícios. É preciso um bom par de tênis, um terreno regular, alongamento e regularidade na prática, além de alguma orientação para quem nunca correu com a finalidade de tirar o melhor proveito do exercício. Eu costumava correr, mas graças a anos de maus tratos na coluna, coleciono aí umas 2 hérnias de disco na lombar, o q me “aposentou” da atividade. Gostava da sensação durante e após a corrida. Hoje, faço natação. É bom, mas é diferente.

Desenhar na rua é uma das atividades mais baratas. Basta pegar lápis e papel… e desenhar! Claro que sem algumas orientações, as frustrações serão maiores q as alegrias. Com um pouco de teoria, um material razoável e regularidade na prática a gente começa a gostar do q sai da folha de papel… Diferente da corrida, eu ainda continuo desenhando na rua.

“Descobri” o grafite não tem muito tempo (macaco velho com mais de 30!). Com um bloco de papel e um lápis de “puro grafite” é possível fazer muita coisa. As outras técnicas vão exigir q vc use tintas, pincéis, água, fita crepe, um cavalete e por aí vai. Nada contra, aprecio quem sai com aquarela, por exemplo, para fazer estudos “plein air” e até já fiz algumas vezes, todavia às vezes me pego com preguiça de sair com o aparato ou algum tema, situação, paisagem me pegam de surpresa. Quando percebo, só tenho o bloco e o lápis na mochila. Grafite é como o primeiro kata do karatê: é sempre bom recordá-lo e saber q é no grafite q vemos os fundamentos da forma, do claro-escuro, do desenho…

Após anos de experiência no mercado, tentando me adaptar às linguagens, lutando para ter um estilo mais “comercial”, confesso q ando cansado. No grafite, tenho notado q meu desenho ainda precisa de muita técnica, muito estudo… isso se eu quiser “agradar” ou me “encaixar” nesta ou naquela linha. Não sou imune a isso, ainda quero “me enquadrar”, mas nos momentos em q me permito não seguir rótulos, ou fico exausto um pouco deles, o resultado pode ser “desastroso”, todavia um tanto mais recompensador internamente. E noto q uma dose de liberdade expressiva pode me ajudar quando preciso fazer algo mais dentro de um “padrão de mercado”. O discurso do tal “estilo pessoal” como disfarce para a displicência com o estudo é muito comum e espero não cair nesta armadilha quando noto q as “manchas” aparecem como recurso expressivo consciente e não como uma tentativa de encobrir os “buracos” da minha falta de estrutura.

O estudo a seguir eu comecei no jardim do Palácio do Catete, no Rio. Depois terminei em casa à minha maneira…

Desenhar e correr na rua

“- Science”. “- Arts”

Hoje, 22/02, é o dia da cerimônia do Oscar 2015. Resolvi batizar o post com um dos diálogos do filme sobre a vida do cientista Stephen Hawking e sua (ex) esposa. Não vi o filme ainda, mas parece ser a forma como os dois se conhecem e se apresentam na trama: o casamento da Ciência com a Arte.
Quando eu era criança, um dos meus sonhos era ser cientista. Fui daquelas crianças q mais estudou do q brincou, o conhecido CDF… Bom, acho q isso não se perde. Mas o fato é q estudar sempre teve uma importância e um valor muito grande na minha vida. Cresci cercado pelos livros de Matemática do meu pai, alguns tantos outros de Física e Química, um livro de sonetos do Vinícius (tinha uma capa em dourado e vermelho, q me atraía e muito), algum romance do Jorge Amado… Ainda hj qdo volto a Salvador e fico no apartamento onde cresci, os livros lá estão. Eu me deito na cama e levo um volume comigo. Corro sempre atrás de alguma ideia, alguma curiosidade. Na minha estante guardo e consulto os (poucos) livros de Matemática q faço questão de não me desfazer. Dia desses conversava com meu pai acerca do valor de se ter livros, apesar da internet, do e-book, do pdf lido no tablet… Tenho 2 sobrinhos… quero q eles gostem de livros também.

Foi na adolescência q eu deixei o sonho de ser engenheiro eletrônico e caí de cabeça nas Artes. Em essência, o trabalho de um cientista e de um artista não é muito diferente: ambos correm atrás do estudo, da experimentação, da investigação. O cientista debruça-se sobre tratados, teorias, utiliza um método de pesquisa, analisa, escreve, re-escreve… O artista tem nos seus pigmentos, papéis, metais, goivas, martelos, pincéis, cinzéis os instrumentos do seu “laboratório”; tem no legado de mestres do passado, na orientação de professores e colegas de estrada, na obra dos já consagrados o seu material de estudo. Ingênuo achar q o artista é movido apenas pela inspiração, pelo dom divino (tenho minha opinião a respeito do tema). Lembro de um documentário q mostrava o pintor Cezanne (se não me engano), arrumando os elementos de uma natureza morta para conseguir o melhor resultado, dentro de uma nova perspectiva de olhar e representar. Ali ele era um cientista da imagem.
Duas coisas podem nos fazer melhor do já fomos: a prática e a persistência. No sábado,  21/02, espalhei os papéis no chão do quarto, abri as tintas e me debrucei sobre eles. Num misto de estudo técnico, terapia e exercício de criatividade, Arte ainda é um dos meus melhores instrumentos de auto-conhecimento.

“- Science”. “- Arts”