Mais uma de Carnaval

Dando seguimento às postagens “temáticas” (juro q não é de propósito), segue mais um estudo bem simples (e olha q é simples mesmo) misturando 4 coisas: pontilhismo, carnaval, Mattotti e P5.

O pontilhismo é uma técnica de pintura e desenho em que as imagens são definidas por pequenas manchas ou pontos. No final do século XIX, essa técnica ganhou bastante visibilidade e Seurat e Signac foram seus maiores expoentes na Europa (apesar de ridicularizados na época).

A ideia de fragmentar uma imagem em unidades “elementares” é bastante antiga. Vamos encontrar muitos exemplos na antiguidade e no período bizantino na forma de mosaicos, por exemplo.

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Exemplo de mosaico, expressão típica na arte bizantina

Lorenzo Mattotti é um desenhista de histórias em quadrinhos e ilustrador da Itália. Dentre seus trabalhos, destaca-se um q ele fez para o livro Carnaval – Cores e Movimentos (Casa 21). São ilustrações coloridas e em preto e branco assinadas por ele, além de textos de autoria de renomados especialistas, cada um abordando um tema sobre a história, tradições e elementos do carnaval.

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Capa do livro Carnaval – Cores e Movimentos, com diversas ilustrações assinadas por Lorenzo Mattotti

Misturando essas ideias e algumas linhas de programação em P5, resolvi traduzir uma das imagens do livro usando “confetes digitais” como unidade de “pintura”.

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‘Árduo” trabalho de pontilhismo executado em P5 sobre uma das ilustrações do livro Carnaval – Cores e Movimentos

Basta clicar aqui ou sobre a imagem acima para ver a figura ganhar forma. Aconselho deixar o programa rodando enquanto vc curte o Carnaval. Volte mais tarde (ou na quarta-feira de cinzas!) para ver o resultado.

Mais uma de Carnaval

Inspiração

Nasceu! Meu primeiro vídeo em q apresento um pouco de uma técnica q utilizo para finalizar alguns dos meus desenhos no papel. Dividido em duas partes, uma teórica e uma prática, a ideia aqui não é fazer o internauta copiar a técnica, mas inspirar, motivar, estimular. Digo isso pq ver outras pessoas trabalhando me estimula a fazer o meu trabalho.

Portanto, assistam e inspirem-se!

Inspiração

Grafitis…

… ou coisas q têm me dado prazer ultimamente.

O lápis grafite tem me acompanhado há um bom tempo, mas só agora ele começa a ganhar a “posição” de trabalho finalizado, não apenas a de estudo, sketch. Em meio ao meu já não tão novo trabalho como programador visual, o desenho vem ocupando outro espaço, com um timing bem diferente, o q permite me lançar em meios q precisam de tempo e paciência…

Grafitis…

Desenhar e correr na rua

Correr na rua é uma das atividades físicas mais baratas. Basta sair de casa… e correr! Claro q sem alguns cuidados, os prejuízos serão maiores q os benefícios. É preciso um bom par de tênis, um terreno regular, alongamento e regularidade na prática, além de alguma orientação para quem nunca correu com a finalidade de tirar o melhor proveito do exercício. Eu costumava correr, mas graças a anos de maus tratos na coluna, coleciono aí umas 2 hérnias de disco na lombar, o q me “aposentou” da atividade. Gostava da sensação durante e após a corrida. Hoje, faço natação. É bom, mas é diferente.

Desenhar na rua é uma das atividades mais baratas. Basta pegar lápis e papel… e desenhar! Claro que sem algumas orientações, as frustrações serão maiores q as alegrias. Com um pouco de teoria, um material razoável e regularidade na prática a gente começa a gostar do q sai da folha de papel… Diferente da corrida, eu ainda continuo desenhando na rua.

“Descobri” o grafite não tem muito tempo (macaco velho com mais de 30!). Com um bloco de papel e um lápis de “puro grafite” é possível fazer muita coisa. As outras técnicas vão exigir q vc use tintas, pincéis, água, fita crepe, um cavalete e por aí vai. Nada contra, aprecio quem sai com aquarela, por exemplo, para fazer estudos “plein air” e até já fiz algumas vezes, todavia às vezes me pego com preguiça de sair com o aparato ou algum tema, situação, paisagem me pegam de surpresa. Quando percebo, só tenho o bloco e o lápis na mochila. Grafite é como o primeiro kata do karatê: é sempre bom recordá-lo e saber q é no grafite q vemos os fundamentos da forma, do claro-escuro, do desenho…

Após anos de experiência no mercado, tentando me adaptar às linguagens, lutando para ter um estilo mais “comercial”, confesso q ando cansado. No grafite, tenho notado q meu desenho ainda precisa de muita técnica, muito estudo… isso se eu quiser “agradar” ou me “encaixar” nesta ou naquela linha. Não sou imune a isso, ainda quero “me enquadrar”, mas nos momentos em q me permito não seguir rótulos, ou fico exausto um pouco deles, o resultado pode ser “desastroso”, todavia um tanto mais recompensador internamente. E noto q uma dose de liberdade expressiva pode me ajudar quando preciso fazer algo mais dentro de um “padrão de mercado”. O discurso do tal “estilo pessoal” como disfarce para a displicência com o estudo é muito comum e espero não cair nesta armadilha quando noto q as “manchas” aparecem como recurso expressivo consciente e não como uma tentativa de encobrir os “buracos” da minha falta de estrutura.

O estudo a seguir eu comecei no jardim do Palácio do Catete, no Rio. Depois terminei em casa à minha maneira…

Desenhar e correr na rua

“- Science”. “- Arts”

Hoje, 22/02, é o dia da cerimônia do Oscar 2015. Resolvi batizar o post com um dos diálogos do filme sobre a vida do cientista Stephen Hawking e sua (ex) esposa. Não vi o filme ainda, mas parece ser a forma como os dois se conhecem e se apresentam na trama: o casamento da Ciência com a Arte.
Quando eu era criança, um dos meus sonhos era ser cientista. Fui daquelas crianças q mais estudou do q brincou, o conhecido CDF… Bom, acho q isso não se perde. Mas o fato é q estudar sempre teve uma importância e um valor muito grande na minha vida. Cresci cercado pelos livros de Matemática do meu pai, alguns tantos outros de Física e Química, um livro de sonetos do Vinícius (tinha uma capa em dourado e vermelho, q me atraía e muito), algum romance do Jorge Amado… Ainda hj qdo volto a Salvador e fico no apartamento onde cresci, os livros lá estão. Eu me deito na cama e levo um volume comigo. Corro sempre atrás de alguma ideia, alguma curiosidade. Na minha estante guardo e consulto os (poucos) livros de Matemática q faço questão de não me desfazer. Dia desses conversava com meu pai acerca do valor de se ter livros, apesar da internet, do e-book, do pdf lido no tablet… Tenho 2 sobrinhos… quero q eles gostem de livros também.

Foi na adolescência q eu deixei o sonho de ser engenheiro eletrônico e caí de cabeça nas Artes. Em essência, o trabalho de um cientista e de um artista não é muito diferente: ambos correm atrás do estudo, da experimentação, da investigação. O cientista debruça-se sobre tratados, teorias, utiliza um método de pesquisa, analisa, escreve, re-escreve… O artista tem nos seus pigmentos, papéis, metais, goivas, martelos, pincéis, cinzéis os instrumentos do seu “laboratório”; tem no legado de mestres do passado, na orientação de professores e colegas de estrada, na obra dos já consagrados o seu material de estudo. Ingênuo achar q o artista é movido apenas pela inspiração, pelo dom divino (tenho minha opinião a respeito do tema). Lembro de um documentário q mostrava o pintor Cezanne (se não me engano), arrumando os elementos de uma natureza morta para conseguir o melhor resultado, dentro de uma nova perspectiva de olhar e representar. Ali ele era um cientista da imagem.
Duas coisas podem nos fazer melhor do já fomos: a prática e a persistência. No sábado,  21/02, espalhei os papéis no chão do quarto, abri as tintas e me debrucei sobre eles. Num misto de estudo técnico, terapia e exercício de criatividade, Arte ainda é um dos meus melhores instrumentos de auto-conhecimento.

“- Science”. “- Arts”