Prato cheio (ou música para os olhos verem)

Esse vai ser um post difícil de começar, pq na verdade eu já queria ir para o meio do texto. Uma forma mais simples de iniciar seria dizer q voltei a estudar processos mais tradicionais de pintura. Sempre gostei muito de aquarela, mas o guache tem me chamado a atenção, principalmente depois de ver bastante coisa de um artista chamado Davi Calil (falei um pouco sobre ele em um post mais antigo). O fato é q ele disponibilizou bastante material em seu canal de YT e eu fiquei estimulado a tentar a nova técnica. Claro q parti para os estudos mais figurativos logo, quebrando a cara ou tendo muita dificuldade para chegar a bons resultados, mas dentre os diversos vídeos postados, alguns se destacam para quem realmente quer estudar: são os de escala tonal.

A princípio são exercícios chatos e monótonos: pintar quadradinhos usando os pigmentos base (ciano, magenta e amarelo), adicionando água, guache branco ou guache preto, criando uma escala com variações cromáticas, partindo de tons mais escuros – a chave baixa – e terminando nos tons mais claros – a chave alta. Fiz um ou outro há um tempo atrás e deixei isso de lado. Todavia vi a necessidade de não pular essa etapa, por mais enfadonha q possa parecer. E na verdade nem é tanto. Enquanto estudava a escala do ciano e do magenta, separadamente, comecei a comparar esse exercício ao dia a dia de um músico, q tb treina escalas com certa periodicidade. É q para o músico, esse tipo de prática já faz parte do processo do aprendizado. O artista visual muitas vezes vai logo para a execução de uma tela, uma pintura, negligenciando por vezes as etapas iniciais, o conhecimento do “alfabeto” do ofício. E isso vale pra quase tudo: quer fazer corpo humano sem estudar anatomia; quer fazer natureza morta sem conhecer composição; quer desenhar ambientes sem conhecer perspectiva…

Criar um quadro, uma imagem, é como tocar uma peça musical. No meio da execução, sua mão (ou sua boca ou seu corpo) deve saber naturalmente como chegar a determinada nota ou acorde. Não dá pra pensar onde fica um ou como montar um acorde menor durante a execução da música. Vc tem q saber. E como saber? Fazendo exercício de escala tonal. E não é uma vez só, não. É com regularidade.

Nos últimos dias estou em casa por causa de uma conjuntivite. A reclusão não me privou de usar a visão e aproveitei o momento para praticar um pouco mais. Seguem alguns resultados dos primeiros estudos de escala tonal com afinco e disciplina. O uso de um prato é meu diferencial, mas serve também para eu entender a “extensão” da escala, buscando cobrir a circunferência da paleta improvisada.

ciano3magenta2amarelo2

Farei o registro de outros estudos. Estes últimos foram feitos apenas com o pigmento, água e guache branco. Existem ainda os exercícios usando guache preto. E muitos outros q eu espero ter fôlego e disciplina pra continuar.

Prato cheio (ou música para os olhos verem)

Três posts pelo preço de um

Meu último post foi em meados de outubro e já estamos próximos da metade do mês de novembro de 2019. Algumas coisas (boas) aconteceram em outubro, como a minha primeira participação em um desafio anual chamado Inktober (uma brincadeira com as palavras ink e October, da língua inglesa): a ideia é fazer um desenho – geralmente “a traço” – por dia, durante os 31 dias do mês de outubro e postar as imagens em redes sociais. Eu adiei essa ideia por bastante tempo – a iniciativa data de 2009 e desde então muita gente aderiu ao desafio. Neste ano eu quis tentar, mas fiz diferente: ao invés de desenhar todo dia, eu desenhei nos dias do mês cujos números fossem primos. Mole, não? Nos 31 dias de outubro contamos 11 números primos (2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29 e 31). E chamei minha brincadeira de Primo nosso de cada dia. Procurei fazer os desenhos me referindo aos eventos comemorados nestes dias ou simplesmente abordando alguma característica/curiosidade dos números. O resultado pode ser conferido no meu Instagram.

primonosso.jpg
Todos os números q fizeram parte do Primo nosso de cada dia. Embora o número 1 não seja primo, foi importante para dizer quem é e quem não é primo.

Ainda em outubro desenhei para a seção Oráculo, da revista Superinteressante. O resultado ficou bem bacana e ter a chance de ilustrar para uma revista q fez parte da minha infância e adolescência foi como um presente, uma vez q meu aniversário foi em outubro também. Tomara q não siga o mesmo padrão da ocorrência dos aniversários, pois não gostaria de esperar até o ano q vem para participar de novo da revista, mas isso já não está mais nas minhas mãos. As ilustrações estão tanto na versão impressa da revista (mês de novembro) bem como no perfil de Instagram da Super.

SI409_Oraculo_final_pag1.jpg
Páginas da seção Oráculo da edição de novembro de 2019 da Superinteressante. Além da abertura, três outras ilustrações minhas estão presentes na seção.

Pra fechar a “trilogia”, algumas páginas resultantes de estudos em guache e nanquim, baseados nas “vídeo-aulas” do Davi Calil,  grande ilustrador e professor de guache na Quanta Academia de Artes. O cara tem um canal no YouTube com 100 vídeos (até então) em “tempo real”, em q ele pinta e dá altas dicas de pintura e desenho. Recomendo muito!

 

Três posts pelo preço de um