Da série “a-riscando pra ver o que vai dar”

Já comentei um pouco sobre este “processo” em um post anterior e confesso q tem sido uma experiência interessante. Basicamente o exercício consiste em riscar o papel sem compromisso e só depois ver o q as linhas sugerem. Claro q as escolhas serão influencidadas por um sem número de fatores, mas o mais legal é partir sem julgamentos. Eu ainda persisto em figurar as escolhas, isto é, fazer as linhas lembrarem formas, mas tb faz parte. Haverá momentos em q não terei mais nem esse desejo e será uma liberdade total. Surpresas boas acontecem qdo estamos tão ligados no motivo principal e não percebemos q outras coisas estão se formando “em paralelo”. O tema original até perde um pouco a importância e dá vontade de se concentrar naquilo q surgiu sem a nossa influência. Soluções de design, formas diferentes, intrusas, acabam aparecendo apenas pq não temos a necessidade de representar este ou aquele tema.

Gosto muito de grandes formatos. Tenho feito esses exercícios em folhas com mais de 70cm de comprimeto por 50 de largura. Isso ajuda a “soltar o braço”, é quase uma “aeróbica”. Risco, troco de mão (sou destro, mas me permito ser canhoto neste exercício), rodo a mesa, me afasto, volto a riscar… O medo da folha em branco meio q desaparece pq estou rabiscando aleatoriamente e quando percebo o papel já está com tanta informação, q basta filtrar e seguir um caminho.

No exercício abaixo a primeira figura a tomar forma foi uma madonna, uma virgem, uma freira… Depois os “vultos de cavaleiros” surgiram à direita do desenho.

Houve uma hora q a luz tb quis participar do processo…

Ao final, ainda surgem uma cabeça (q pode ser de uma cobra ou uma baleia de perfil) e uma raposa à esquerda do desenho, sobre o ombro da figura feminina… tudo isso sem ingerir qq substância alucinógena (rs).

Da série “a-riscando pra ver o que vai dar”

Parábolas, parábolas…

Parábola é uma pequena narrativa que usa linguagem figurada para transmitir uma lição moral, algum ensinamento.

Pois bem, comecei a escrever meu primeiro livro de parábolas. São 12 ao total e vcs podem clicar sobre a figura abaixo para ter acesso a elas em formato ampliado. São curtas, marcantes, carregadas de lirismo… e humor. Espero que gostem, hehehe.

Parábolas, parábolas…

Tan…tan…tan…tan…tantantantantan…

Eu sei q o nome original é Jaws. Cresci com essa palavra associada ao “bicho”. Mas só há pouco tempo (na verdade hoje pela manhã), eu notei q a palavra está no plural e o “bicho” é um só. Jaw significa mandíbula. Logo, jaws quer dizer mandíbula”s”.

Tudo fez sentido!

Ainda hoje tb lembrei q  já havia feito umas manchas em homenagem a um dos cartazes de filme mais emblemáticos de cinema. Tubarões são figuras muito interessantes. Um estudo feito sobre shapes aponta o triângulo como uma forma associada ao perigo. Basta lembrar as cobras: as venenosas possuem cabeça triangular. Os tubarões não fogem à regra. Este conceito foi levado para o character design tb. Quer fazer um bom vilão malvadão? Capriche nos triângulos, nas pontas… Pegue o Scar ou o Jafar, por exemplo.

À noite desencavei um link para assistir ao clássico de 1975, realizado por Steven Spielberg e baseado em romance homônimo de Peter Benchley (tb li o livro, q é muito bom). O filme traz aí o Roy Scheider e o Richard Dreyfuss novinhos! Voltei às minhas “manchas”, mas resolvi usar o nome do animal em inglês, shark. Além da palavra ser simétrica em relação ao “a”, se usarmos esta letra em maiúsculas, tb teremos um triângulo.

Pra mim, fez todo sentido!

Eu sei q jaws tb têm “a”, mas… não é simétrico! #implicante!

Tan…tan…tan…tan…tantantantantan…

Think less, thank more

Este post vai em duas partes.

I – Preparando o ambiente

Gosto de fazer relações, jogos visuais, investigar o efeito q pequenas mudanças podem causar num contexto, numa palavra, numa situação…

Mesmo adorando o meu idioma, sempre tive atração pela língua inglesa. Mais uma vez a figura do meu pai – q eu citei num post anterior qdo ele me ensinou a ler as horas – foi fundamental ao me apontar o estudo do inglês como importante para minha vida. Quando criança e adolescente, os cursos de idioma eram caríssimos e sabia q meu pai não poderia bancar isso pra mim. Todavia a alternativa foi partir para algo mais autodidata e ele me comprova aquele Curso de Idiomas Globo, com suas fitas cassete e fascículos semanais. Então eu pegava o aparelho de som da minha mãe, colocava a fita, os fones de ouvido e entrava no mundo dos Lovat, uma família britânica dona de uma perfumaria artesanal caseira. O idioma era apresentado tendo eles como pano de fundo. Eu adorava, pois era bem ilustrado, havia canções e o fato de ser contada uma história estimulava a sempre querer saber o q iria acontecer depois. E ainda tinha uma página de quadrinhos no final!

Não cheguei a completar o curso… Ser autodidata exige muito e o curso, além de extenso, tinha o problema da conversação: eu basicamente ouvia, lia e escrevia, não falava. Muitos anos mais tarde, baixei todos os áudios (hj TUDO muito mais fácil graças à Internet) e ficava ouvindo no carro a caminho do trabalho. Mais uma vez, disciplina fraca, o estudo ficou pelo caminho… Quanto mais velho, mais difícil quebrar vícios, aprender novos hábitos.

Tenho uma compreensão bem mediana do idioma. Cansei de fazer cursos, pois ainda são caros e a imersão não é das maiores. Fico me dando a “desculpa” q, agora, só indo morar ou passar um bom tempo fora para ter um “tratamento de choque” com o idioma…

Mas voltando ao “jogo das relações”, se eu gosto de brincar com a língua portuguesa, também gosto de fazer o mesmo exercício usando o inglês e me surpreendo com algumas associações bem felizes.

Na segunda parte do post, vamos ver o q uma única letra dentro de uma palavra pode mudar tudo e, além de um jogo visual, ainda serve como ensinamento para toda a vida.

II – Think less, thank more

Pense menos, agradeça mais.
Simples assim. Eu disse q é simples… não q é fácil… pelo menos pra mim.

Aqui valeria um post inteiro sobre o assunto, mas este já está bem extenso e vou entrar em divagações. Tentarei sintetizar: o ser humano pensa muito. E boa parte desses pensamentos é uma grande armadilha para uma vida plena.

Já adianto, não é porque conheço isso, q sei isso. Para mim é um exercício, não um hábito ainda.

Do ponto de vista da forma, a troca do “i” pelo “a” causa um impacto tremendo no conteúdo, no significado. Isso me faz acreditar q pequenas mudanças podem nos levar a grandes resultados. Mais q apenas uma brincadeira visual, a “feliz coincidência” da troca de uma letra pode apontar uma troca também de atitude, de postura, cujo resultado é um caminho mais feliz.

Se tivermos q nos preencher com alguma coisa, q seja com mais louvor, mais agradecimento e menos queixas, menos pedidos, menos pensamentos…

Essa frase tem me acompanhado bastante nos últimos tempos e eu precisava colocar pra fora de alguma forma. Daí parti para fazer um cartaz.

A mistura das imagens pode causar estranheza, a leitura das palavras pode até ficar confusa, mas talvez isso não diminua a força do ensinamento.

Think less, thank more

Pra que simplificar se a gente pode complicar

A frase foi empregada de propósito. Simplificar deveria ser sempre a única coisa a fazer, mas estamos aprendendo e o processo de aprendizagem é recheado de tentativas e erros.

Para a série B-língue, eu estava criando “dípticos”, usando uma palavra para ilustrar cada cartaz. Pensei se não poderia juntar as duas palavras numa imagem só…

Os estudos abaixo são uma tentativa de ver se este caminho pode ser mais interessante. Mas, como não poderia deixar de ser, insatisfeito com um resultado, acabei fazendo dois arranjos: em um, a leitura das duas palavras é mais fácil, mas no outro as intersecções das formas geraram efeitos legais, mas comprometeram um pouco a leitura de uma das palavras…

Fiz ainda uma última experiência envolvendo as mesmas palavras arara e macaw, investigando um pouco a simetria q existe nas letras q compõem as palavras. Arara pode ser lida no sentido da nossa leitura como tb de trás pra frente. Quando este “fenômeno” acontece, temos um palíndromo. Na palavra macaw, as letras M e W são simétricas no sentido transversal. Certas famílias tipográficas trazem a letra “a” (em caixa baixa) como sendo um círculo e um segmento de reta tangente a ele. Algumas fontes q assim representam a primeira letra do alfabeto são a Avant Gard, a Century Gothic, a Futura…

Misturei tudo isso e o resultado está aí abaixo, desta vez ignorando o significado das palavras, mas brincando um pouco com as letras q formam os verbetes.

Pra que simplificar se a gente pode complicar

B-língue

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Na minha incansável mania de “séries”, comecei a fazer umas brincadeiras com palavras, tipografia e idiomas. B-língue é uma tentativa de criar “dípticos” com palavras em 2 idiomas distintos e conectá-las por algum recurso gráfico (preferencialmente a tipografia). Outro passatempo sem nenhum compromisso com peridiocidade, “just for fun”.

A brincadeira começou aqui, quando usei o ampersand para ilustrar as palavras baleia e whale.

B-língue