O bom e velho Pitágoras

Nesta semana estudei um pouco do teorema de Pitágoras. Antes eu estudava para passar na prova, passar de ano, passar em concurso. Estudar era quase sempre um meio, não um fim em si mesmo. Ainda estudo com objetivos práticos e até outubro o meu foco é “passar”. Mas hj não posso dizer q estudo SÓ para isso. Desde q comecei a fazer cartuns a partir de temas relacionados à Matemática e outras disciplinas, fiquei mais atento aos assuntos, sempre buscando uma “brecha”, um elemento capaz de virar um desenho. Algum humor, sim, mas sem deturpar o conteúdo, senão vira um desserviço.

Sobre o célebre teorema do matemático de Samos, passei pelos ternos pitagóricos, q são conjuntos de 3 números inteiros q satisfazem à regra: o quadrado do maior número é igual à soma do quadrado dos outros dois. Se prestarmos atenção, nada mais é do q acontece em um triângulo retângulo, cujo quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos. Além disso, se os 3 números forem primos entre si, isto é, possuírem apenas o número 1 como divisor comum, temos um trio pitagórico primitivo.

Bom, o resultado dos estudos segue abaixo:

Ternos pitagóricos Terno pitagórico primitivo

Quase todos esses desenhos eu publico no meu perfil no Instagram. Mas como eu gosto de escrever, e acho esse exercício fundamental para meu trabalho, o blog continua sendo o melhor lugar. Talvez soe obsoleto demais, mas desde q a ferramenta de blog surgiu, eu nunca deixei de usar esse recurso.

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O bom e velho Pitágoras

Hoje é dia do preço redondo!

É assim que o locutor do hortifruti perto de casa anuncia a promoção do dia. Os cartazes, feitos à mão com um tipo de letra de q eu gosto muito – e já tive até vontade de aprender ou fazer parecido – estampam os valores “arredondados”. Nada de 1 e 99 ou 3 e 49.

Popularmente os “números redondos” são aqueles em oposição aos “números quebrados”, isto é, 9 é mais redondo q 8,99; todavia 10 é mais redondo do q 9, dependendo do contexto. Eu uso muito a expressão números redondos para expressar exatamente um número divisível por 10.

Pesquisando, cheguei a um texto de autoria do falecido Carlos Heitor Cony sobre números redondos. O texto é ótimo: leve, bem escrito, com conteúdo e diverte tb. Coisa de quem realmente sabe fazer. Cony cita o fato de os árabes não apreciarem os números redondos. Recentemente reli o Homem que Calculava e creio q existe uma passagem a respeito disso, pois qdo li o trecho de Cony eu já sabia e a única fonte de q me recordo de ter aprendido isso seria a partir do livro do Malba Tahan (ou então estou ficando senil muito cedo). Tentei catar o trecho do livro, mas não consegui. Fica aí como desafio.

precos.jpg
Dia de preço redondo no hortifruti! Nada de 1 e 89 ou 1 e 39.

E um cartunzinho para não perder o costume.Números redondos

Hoje é dia do preço redondo!

3x

No dia 25 de maio de 2019 aconteceu a cerimônia de premiação do 17º Salão de Humor de Cerquilho, realizada em São Paulo. Participei da edição deste ano com dois cartuns (escrevi sobre eles em posts anteriores aqui e aqui) após um bom tempo sem concorrer em salões de humor. Resgatando meu histórico para escrever este post, lembrava-me q já fora premiado uma vez, em 2010, com um cartum também, mas tb consegui um 3º lugar em 2008, na 7ª edição do salão, mas na categoria quadrinhos. Com esta premiação eu acho q virei “freguês” do salão e fico feliz por saber q ele é um sobrevivente. Vivemos tempos difíceis em diversas atividades e a Cultura não fica de fora. Tenho notado uma baixa nos salões e festivais de humor nacionais – está certo q não ando procurando muito -, mas levando em consideração q a informação hj circula com mais facilidade, percebi uma queda nos salões realizados no Brasil. Torço para q este quadro mude e voltemos a ter mais incentivos não apenas nesta área, mas em tantas outras q precisam de recursos e apoio.

Parabenizo os premiados e agradeço mais uma vez a conquista de mais um prêmio. Como já me disseram pessoas queridas, esses resultados vão nos confirmando o nosso caminho. Mais q agradar nosso ego, é bom saber qndo nossas apostas geram resultados q almejamos. A perseverança e a paciência são postas à prova qdo não conseguimos a vitória como desejamos. Às vezes demora muito, cansamo-nos, pensamos em desistir, pensamos q “este não é o meu caminho”, mas a vida premia o esforço da persistência sadia, do trabalho sério e da dedicação q colocamos naquilo q acreditamos.

Texto sério, né? Bom, segue o cartum premiado e meus votos de vida longa ao Salão de Humor de Cerquilho!!

River raid

3x

1/2 marguerita, 1/2 portuguesa

Gosto de papel e lápis. Até pq eu cresci com isso, só havia isso. Fui ter contato com o digital voltado para o trabalho de desenho/ilustração já “macaco velho”. E mesmo assim foi um caminho lento e ainda cheio de adaptações. Para usar “tablet” (e me desculpem os mais novos porque o q hj é conhecido como mesa digitalizadora, há pouco tempo atrás se chamava tablet) eu levei um bom tempo e nunca consegui desenhar olhando pra tela e rabiscando sem olhar para o suporte. A área do cérebro q faria isso não se desenvolveu. Felizmente evoluímos, conheci a Cintiq e comprei uma tempos depois. Foi uma revolução na minha produção. E mais recentemente, investi um bom dinheiro para comprar um I-Pad Pro e o Procreate.

Quem conhece meu trabalho sabe q nunca fui um daqueles virtuoses da arte digital. Meu “phtotoshop” é mediano; trabalho mais com vetor e nem assim é algo assombroso. Ganho na quantidade, na perseverança e no cansaço.

Sempre tem nanquim, papel, guache, lápis, perto de mim. Sempre visito esses meios e não seria eu se não o fizesse. O desenho a seguir é uma prova desse casamento entre o tradicional e o digital: parte feito em papel e nanquim usando uma técnica de arte-final q divulguei aqui e parte da colorização (bem trivial) feita no Procreate.

O resultado eu publico depois pois ele é meio “surpresa”. Tentei subir um timelapse gerado pelo próprio Procreate, mas minha conta no WP não me dá direito a subir vídeos. Sorry.

Quem quiser ver, basta procurar meu perfil no instagram.

E por hoje é só, pessoal!

1/2 marguerita, 1/2 portuguesa

Conteúdo próprio

Quem visitar meu site vai encontrar um pequeno texto em q falo sobre um momento muito particular na minha carreira. Segue o trecho:

Há um bom tempo, enquanto escrevia para meu blog, resolvi ilustrar o texto, cujo tema era sobre Matemática, com um cartum meu. Tempos mais tarde, uma editora entrou em contato comigo querendo utilizar o desenho como parte do material didático que estavam fazendo. Foi aí que tudo começou. De lá pra cá, venho desenvolvendo cartuns e tirinhas tendo como inspiração conteúdos escolares e muito desse material já fez parte de diversas obras.

Também sou ilustrador, mas não emplaquei muitos trabalhos. Por não possuir um estilo muito pessoal para ilustração, é difícil imprimir uma “marca”. Por um tempo tive uma agente q me alertou para essa questão do estilo pessoal. Era difícil vender meu trabalho. Sempre gostei muito de ilustração de livro. Eu e boa parte da torcida do Flamengo q gosta de ilustrar. O único trabalho q fiz de neste segmento foi para uma obra juvenil. Li o livro antes de fazer os desenhos, o q foi uma experiência muito boa. Pena q durou pouco.

Como ilustrador para livros didáticos, fico à mercê do q a editora pede, isto é, a criatividade fica condicionada. Mas como citei nas aspas acima, foi a partir de um desenho para uma postagem no meu blog q descobri q podia fazer conteúdo próprio e ainda licenciar o uso do mesmo, e esta eu considero a grande sacada: qdo sou contratado para fazer uma ilustração, ela acaba pertencendo ao cliente; no caso do licenciamento, a imagem ainda é minha e posso comercializá-la para mais de uma pessoa, quantas vezes quiser!

Coleciono algumas situações interessantes relativas a uso de imagem. Certa feita, um cliente me pediu para fazer uma tirinha sobre a revisão ortográfica da nossa língua. Eu fiz um cartum. O trabalho foi negado e precisei de fato fazer uma história em quadrinhos. O cliente aprovou e me pagou. A imagem reprovada eu consegui licenciar mais tarde para outra pessoa. Perdi o direito de comercialização sobre a tirinha, mas em compensação o cartum, q ainda é meu, me deu lucro mais tarde.

A imagem a seguir é outro exemplo: criado para participar de um salão de humor, acabei não emplacando. Todavia recentemente fechei o licenciamento da imagem para uma obra didática.

Evolução

Onde quero chegar com tudo isso? Para mim, o caminho de desenvolvimento de conteúdo próprio tem sido mais recompensador. É claro q não vivo apenas disso, mas estimulo e encorajo as pessoas a criarem seu próprio conteúdo. Os ganhos vêm tanto na realização pessoal qto no retorno financeiro conseguido com licenciamento.

E por hoje é só!

Conteúdo próprio

“Nada se cria, tudo se copia”

Tive a ideia para esse cartum há um tempo atrás. Arrisco a dizer q certamente alguém (ou “alguéns”) já deve ter feito algo parecido, igual ou melhor. Às vezes reluto em continuar ideias q parecem óbvias, movido pelos pensamentos de: “vc copiou a ideia de outra pessoa”; ou então “essa ideia é muito fraca!”

É inevitável, uma hora a gente vai copiar o outro ou seremos copiados pelos demais. É muita gente vivendo, pensando, criando. Muita gente já viveu, pensou e criou antes de nós. E muitos, muitos outros viverão, pensarão e criarão tb. Dois exemplos de “plágio inconsciente” aconteceram envolvendo trabalhos meus e de dois grandes cartunistas: Rodrigo Minêo e Dálcio Machado (os meus são este e este). Conheço o Rodrigo e até escrevi para ele, falando sobre a similaridade dos trabalhos e ele foi bastante tranquilo.

Postei o cartum a seguir no meu instagram e a receptividade foi muito boa (até me surpreendi). Mas como não faço textos reflexivos lá, resolvi falar um pouco sobre este trabalho aqui no blog. Tem gente q lê, gosta, se interessa. Independente de quem está na outra ponta, registrar, comentar, refletir sobre um trabalho tem tanto peso quanto a obra em si.

E convenhamos, ler 3 ou 4 parágrafos não arranca pedaço de ninguém, não é mesmo?

Sujô!

“Nada se cria, tudo se copia”