Que horas são?

Ideias não caem do céu nem dão em árvores. Pelo menos isso não acontece comigo.

Às vezes considero a criatividade como um músculo (q precisa ser trabalhado com regularidade). Outras vezes eu a encaro como uma antena (q precisa de ajuste e direção).

Mas independente da forma como eu a interpreto, o fato é q é sempre bom ter ideias, mesmo q elas pareçam batidas. Tenho muito medo de tê-las e me esbarrar em plágio consciente ou inconsciente. Mesmo assim não deixo de avançar com elas (ou não).

Gosto muito de relógios. É um tema bastante recorrente nas minhas “criações”. Volta e meia acabo tendo algum insight para um mostrador diferente para as horas e minutos. Mas no caso a seguir eu acabei brincando com os ponteiros do relógio analógico e o fato de q tanto as palavras HORA, MINUTO e SEGUNDO possuem o O como interseção (aliás, é a única letra em comum entre as 3). Boa parte daquilo q crio ganha primeiro as páginas de algum caderno (acho q venho me prometendo fazer algum vídeo sobre o caderno de ideias, mas sempre adio). As ideias hibernam, fermentam, seguem “esquecidas”. Como se esperassem algum processo, algum amadurecimento para ganhar vida.

E para esses “nascimentos”, estudar código tem sido muito bom. Em tempos pretéritos, a única coisa q eu podia fazer para conferir movimento aos meus trabalhos era usando programas como o Flash ou o After Effects. O gif abaixo mostra o resultado da experiência de escrever um relógio usando Javascript e P5. Para ver o funcionamento do mesmo em tempo real, clique aqui.

relogio

rasc_relogio

Que horas são?

Golomb, P5, yin yang, pássaros, corações e o que mais aparecer

Final de 2018, São Paulo. Fui apresentar meu trabalho sobre caligramas a partir de conceitos matemáticos na USP e ganhei um presente: uma palestra para turbinar minha criatividade proferida pelo amigo Antonio José Lopes Bigode. Durante algumas horas, fui apresentado a muito material de qualidade, mas algo q ficou registrado na minha mente foi uma engenhosa régua q podia ser feita com poucas marcações e ainda assim realizar muitas medidas. Trata-se de uma régua de Golomb (em homenagem ao matemático Solomon W. Golomb).

Veja a figura abaixo:

golomb-01

A “régua 1” traz todas as marcações de 0 a 3 e podemos realizar as medidas de 0 a 3. Todavia a segunda “régua” suprime a marcação relativa ao 2, mas ainda assim é possível realizar uma medida tomando o intervalo entre 1 e 3 (q é igual a 2). O desafio é encontrar réguas ditas perfeitas, ou seja, q possuam poucas marcações e consigam realizar todas as medições do seu intervalo. Até então, a maior régua perfeita encontrada tem tamanho igual a 6 e é feita usando apenas 4 marcações.

Intrigado com essa ideia, queria criar algo usando esse pensamento e bolei um “grid” formado por circunferências cujos diâmetros obedecem à regra da “régua de 6” (na figura abaixo, o grid é mostrado na parte superior esquerda). Passei então a preencher os espaços manualmente.

golomb-01

O resultado me agradou muito, mas não sei quanto tempo levaria para realizar todas as combinações possíveis desses “yin yangs assimétricos” (como acabei chamando). Resolvi então fazer algo usando P5. Minhas tentativas ainda estão rasas e não consegui programar algo q me ofereça o resultado q desejo.

Na imagem a seguir, consegui preencher de forma aleatória as circunferências do “grid” q eu criei, mas as “gotas” dos “yin yangs” ainda são um desafio para mim.

golomb_testes.png

Deixando de lado esse desafio mais “cascudo”, resolvi tentar algo mais fácil. Voltei então para a “régua de 3”, mas abandonei a ideia do “yin yang”. Rabiscando bastante, percebi q a combinação de 3 semi-círculos (e mais tarde triângulos tb) de diâmetros 1, 2 e 3 poderiam gerar sínteses gráficas interessantes. Ainda no P5, resolvi brincar um pouco e o resultado pode ser conferido abaixo: 3 composições criadas aleatoriamente, ao toque da tela (do celular ou do monitor). Clique sobre cada imagem e vc poderá conferir o efeito em uma outra nova janela.

birds1birds2birds3

Golomb, P5, yin yang, pássaros, corações e o que mais aparecer

Calçadas

Em meus movimentos cíclicos, eis-me novamente envolvido com as possibilidades q a programação pode oferecer para o trabalho de artistas visuais. Venho há um bom tempo estudando Processing e migrei para o P5, uma biblioteca q roda em Javascript e q aproveitou bastante do q aprendi com o Processing. Se for do seu interesse conhecer um pouco mais sobre P5, recomendo o canal Coding Train, do Daniel Shiffman. O cara manda muito bem e é minha referência no assunto.

Vou a passos lentos, num ritmo próprio. Aproveito, como sempre faço, a inspiração vinda do mundo q me cerca e, motivado pelo calçamento de algumas cidades, achei interessante reproduzir o desenho de alguns deles usando o P5. Tomei como ponto de partida as calçadas de duas grande cidades brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro. Lugares onde vivi/vivo e q são fonte de inspiração sempre.

É um desejo meu desenvolver alguns tutoriais para falar sobre design/ilustração/programação, mas tudo está meio embrionário. Em futuro próximo, quero comentar como foi o processo criativo para criar esses padrões, mas por ora o resultado pode ser conferido aqui e aqui.

rio_sp

Calçadas

O Dia do Pi

Pi é um dos números mais conhecidos e famosos. Para “homenageá-lo”, o dia 14 de março foi batizado de o Dia do Pi. Mas vc pode se perguntar: Pi começa com 3,14… e 14 de março seria 14/3… O q uma coisa tem a ver com a outra? É q a data só faz sentido se usarmos a língua inglesa, onde o mês antecede o dia. Enfim…

Há um bom tempo, fiz uma brincadeira em q tomei alguns dos infinitos algarismos de Pi, separei em blocos de 6 algarismos e converti esses blocos em cores (usando o sistema hexadecimal).

O resultado pode ser conferido aqui.

pixel

O Dia do Pi