14 de março

Hoje é o Dia de Pi. Na língua inglesa faz mais sentido, pois inverte-se a ordem do dia e do mês, isto é, fica 3/14, os três primeiros dígitos do número mais conhecido da matemática. Até quem não gosta da matéria sabe da existência dele. Não vou me aprofundar na matéria, pois exigiria um post longo. Pra data não ficar em branco, fiz aí a minha homenagem, uma animação usando P5 e os primeiros 700 algarismos do infinito homenageado. Cada linha possui os algarismos em sequência. Eles vão alterando. Ficou bacana (eu acho rs). Para ver animado, clique sobre a imagem abaixo. A animação e o código estão hospedados na minha conta no OpenProcessing.

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14 de março

Mais uma de Carnaval

Dando seguimento às postagens “temáticas” (juro q não é de propósito), segue mais um estudo bem simples (e olha q é simples mesmo) misturando 4 coisas: pontilhismo, carnaval, Mattotti e P5.

O pontilhismo é uma técnica de pintura e desenho em que as imagens são definidas por pequenas manchas ou pontos. No final do século XIX, essa técnica ganhou bastante visibilidade e Seurat e Signac foram seus maiores expoentes na Europa (apesar de ridicularizados na época).

A ideia de fragmentar uma imagem em unidades “elementares” é bastante antiga. Vamos encontrar muitos exemplos na antiguidade e no período bizantino na forma de mosaicos, por exemplo.

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Exemplo de mosaico, expressão típica na arte bizantina

Lorenzo Mattotti é um desenhista de histórias em quadrinhos e ilustrador da Itália. Dentre seus trabalhos, destaca-se um q ele fez para o livro Carnaval – Cores e Movimentos (Casa 21). São ilustrações coloridas e em preto e branco assinadas por ele, além de textos de autoria de renomados especialistas, cada um abordando um tema sobre a história, tradições e elementos do carnaval.

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Capa do livro Carnaval – Cores e Movimentos, com diversas ilustrações assinadas por Lorenzo Mattotti

Misturando essas ideias e algumas linhas de programação em P5, resolvi traduzir uma das imagens do livro usando “confetes digitais” como unidade de “pintura”.

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‘Árduo” trabalho de pontilhismo executado em P5 sobre uma das ilustrações do livro Carnaval – Cores e Movimentos

Basta clicar aqui ou sobre a imagem acima para ver a figura ganhar forma. Aconselho deixar o programa rodando enquanto vc curte o Carnaval. Volte mais tarde (ou na quarta-feira de cinzas!) para ver o resultado.

Mais uma de Carnaval

Wucius Wong em P5

Não lembro bem quando, mas faz tempo q comprei um livro de capa azul chamado Príncipios de Forma e Desenho, de Wucius Wong, um pintor chinês nascido em 1936, figura de destaque na arte contemporânea chinesa. Realmente eu queria me recordar o motivo da compra, mas o fato é q este é o tipo de livro q eu espero não ter q me desfazer.  A edição q eu tenho é de 1998. Entrei na faculdade de desenho industrial em 1997. E lá se vão mais de 20 anos desde a compra do livro. Atualmente estou numa “batalha”, lendo Sinais e Símbolos, do Adrian Frutiger. Digo batalha pq não se trata de um romance. É o tipo de livro q merece ser estudado. Assim que terminá-lo, quero ler (de verdade) o livro do Wucius Wong. Mas vamos falar um pouco mais sobre este último.

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Capa da edição de 1998, que saiu pela editora Martins Fontes

Todo em preto & branco, o autor chinês apresenta uma série de conceitos e exercícios de expressão bidimensional e tridimensional. O volume único na verdade é a compilação de 3 dos 4 livros escritos por Wong: Principles of Two-Dimensional Design, Principles of Three-Dimensional Design e Principles of Two-Dimensional Form. Ficou de fora o Principles of Color Design (até pq para este uma impressão em cores seria indispensável), mas já tá bom, pois o volume tem mais de 340 páginas. Lendo o prefácio e a orelha do livro, percebe-se uma coisa interessante: a presença da informática como ferramenta de expressão. O autor relata o quanto os desenhos ganharam em celeridade (e precisão) quando os programas gráficos computacionais entraram em cena. Talvez maravilhado com essa possibilidade o autor fizesse tanta questão em apresentar os programas q ele usou. Entretanto o curioso (quase engraçado) é notar q alguns dos programas citados ou não existem mais ou foram modificados, pois as recursos computacionais mudam muito rápido. O livro apresenta informações de escolha de programas, primeiros passos, setup básico de computador. Eu acho essa a parte mais “datada” da obra, quase dispensável para um leitor do século XXI q já nasce imerso em tecnologia.

Mas o material mais importante certamente não é esse. O livro é rico em padrões e composições muito bonitas e atraentes, algo q posso considerar como conteúdo atemporal pois se foi feito à mão ou usando um programa gráfico, o resultado visual é o mais impressionante. Padrões geométricos e figurativos encantam a humanidade desde a antiguidade e são quase um patrimônio da criação humana, tamanha é a sua presença nas mais diversas culturas e civilizações.

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Padrões e composições exemplificam os conceitos do livro. No canto inferior direito da página à direita está a imagem q serviu para um dos meus estudos

Diante dessa pluralidade de possibilidades de execução, pensei: poderia fazer algumas dessas composições usando programação “bruta”? Claro q um CorelDraw, um Illustrator ou mesmo um Inkscape são ferramentas mais amigáveis para fazer tais coisas, menos sofridas até. Todavia o desafio q me proponho é fazer alguns testes, algumas pontes entre o resultado figurativo gerado e os comandos de uma linguagem como “ferramentas” de desenho. Também é uma forma de aprender a traduzir o q vejo e treinar representar além do lápis e papel ou dos programa de computador.

Devo dizer q não é fácil, principalmente pela minha pouca bagagem ainda no terreno da programação, mas são bons desafios e exercícios. Apresento dois deles – q tb podem ser conferidos no meu perfil no Openprocessing.

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Uma das possibilidades que a programação abre é poder gerar figuras animadas, uma vez que todas as imagens dos livros são estáticas

 

Wucius Wong em P5

Traço mágico

Quando eu era garoto, havia um brinquedo q eu achava fantástico, chamado Traço mágico. Ele trazia uma tela retangular e dois controles laterais. Simples assim. Ao girar um dos controles, uma linha na cor preta era desenhada sobre a tela, q era um fundo cinza. Havia um botão para linhas verticais e um outro para linhas horizontais. Atuando sobre os dois ao mesmo tempo, a linha ficava “orgânica”. Para apagar o desenho, bastava sacudir o brinquedo. Nunca entendi como aquilo funcionava, até pq seu funcionamento não necessitava de baterias.

Traço mágico

Eu não era dos melhores, mas mesmo assim foi um brinquedo q marcou minha infância. Recentemente resolvi fazer uma “homenagem” e escrevi um código q simula o efeito gerado pelo brinquedo de forma aleatória. Para conferir o resultado, clique sobre a imagem acima ou aqui. Sugiro visitar o link e deixar o programa rodando por um tempo, enquanto vc faz outra coisa. Depois volte e confira o resultado. Para “apagar”, não adianta sacudir o celular ou o monitor. Terá q dar um “refresh” na tela.

Fiz também uma versão “avançada“. As possibilidades são infinitas.

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Traço mágico

Que horas são?

Ideias não caem do céu nem dão em árvores. Pelo menos isso não acontece comigo.

Às vezes considero a criatividade como um músculo (q precisa ser trabalhado com regularidade). Outras vezes eu a encaro como uma antena (q precisa de ajuste e direção).

Mas independente da forma como eu a interpreto, o fato é q é sempre bom ter ideias, mesmo q elas pareçam batidas. Tenho muito medo de tê-las e me esbarrar em plágio consciente ou inconsciente. Mesmo assim não deixo de avançar com elas (ou não).

Gosto muito de relógios. É um tema bastante recorrente nas minhas “criações”. Volta e meia acabo tendo algum insight para um mostrador diferente para as horas e minutos. Mas no caso a seguir eu acabei brincando com os ponteiros do relógio analógico e o fato de q tanto as palavras HORA, MINUTO e SEGUNDO possuem o O como interseção (aliás, é a única letra em comum entre as 3). Boa parte daquilo q crio ganha primeiro as páginas de algum caderno (acho q venho me prometendo fazer algum vídeo sobre o caderno de ideias, mas sempre adio). As ideias hibernam, fermentam, seguem “esquecidas”. Como se esperassem algum processo, algum amadurecimento para ganhar vida.

E para esses “nascimentos”, estudar código tem sido muito bom. Em tempos pretéritos, a única coisa q eu podia fazer para conferir movimento aos meus trabalhos era usando programas como o Flash ou o After Effects. O gif abaixo mostra o resultado da experiência de escrever um relógio usando Javascript e P5. Para ver o funcionamento do mesmo em tempo real, clique aqui.

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Que horas são?

Golomb, P5, yin yang, pássaros, corações e o que mais aparecer

Final de 2018, São Paulo. Fui apresentar meu trabalho sobre caligramas a partir de conceitos matemáticos na USP e ganhei um presente: uma palestra para turbinar minha criatividade proferida pelo amigo Antonio José Lopes Bigode. Durante algumas horas, fui apresentado a muito material de qualidade, mas algo q ficou registrado na minha mente foi uma engenhosa régua q podia ser feita com poucas marcações e ainda assim realizar muitas medidas. Trata-se de uma régua de Golomb (em homenagem ao matemático Solomon W. Golomb).

Veja a figura abaixo:

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A “régua 1” traz todas as marcações de 0 a 3 e podemos realizar as medidas de 0 a 3. Todavia a segunda “régua” suprime a marcação relativa ao 2, mas ainda assim é possível realizar uma medida tomando o intervalo entre 1 e 3 (q é igual a 2). O desafio é encontrar réguas ditas perfeitas, ou seja, q possuam poucas marcações e consigam realizar todas as medições do seu intervalo. Até então, a maior régua perfeita encontrada tem tamanho igual a 6 e é feita usando apenas 4 marcações.

Intrigado com essa ideia, queria criar algo usando esse pensamento e bolei um “grid” formado por circunferências cujos diâmetros obedecem à regra da “régua de 6” (na figura abaixo, o grid é mostrado na parte superior esquerda). Passei então a preencher os espaços manualmente.

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O resultado me agradou muito, mas não sei quanto tempo levaria para realizar todas as combinações possíveis desses “yin yangs assimétricos” (como acabei chamando). Resolvi então fazer algo usando P5. Minhas tentativas ainda estão rasas e não consegui programar algo q me ofereça o resultado q desejo.

Na imagem a seguir, consegui preencher de forma aleatória as circunferências do “grid” q eu criei, mas as “gotas” dos “yin yangs” ainda são um desafio para mim.

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Deixando de lado esse desafio mais “cascudo”, resolvi tentar algo mais fácil. Voltei então para a “régua de 3”, mas abandonei a ideia do “yin yang”. Rabiscando bastante, percebi q a combinação de 3 semi-círculos (e mais tarde triângulos tb) de diâmetros 1, 2 e 3 poderiam gerar sínteses gráficas interessantes. Ainda no P5, resolvi brincar um pouco e o resultado pode ser conferido abaixo: 3 composições criadas aleatoriamente, ao toque da tela (do celular ou do monitor). Clique sobre cada imagem e vc poderá conferir o efeito em uma outra nova janela.

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Golomb, P5, yin yang, pássaros, corações e o que mais aparecer

Calçadas

Em meus movimentos cíclicos, eis-me novamente envolvido com as possibilidades q a programação pode oferecer para o trabalho de artistas visuais. Venho há um bom tempo estudando Processing e migrei para o P5, uma biblioteca q roda em Javascript e q aproveitou bastante do q aprendi com o Processing. Se for do seu interesse conhecer um pouco mais sobre P5, recomendo o canal Coding Train, do Daniel Shiffman. O cara manda muito bem e é minha referência no assunto.

Vou a passos lentos, num ritmo próprio. Aproveito, como sempre faço, a inspiração vinda do mundo q me cerca e, motivado pelo calçamento de algumas cidades, achei interessante reproduzir o desenho de alguns deles usando o P5. Tomei como ponto de partida as calçadas de duas grande cidades brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro. Lugares onde vivi/vivo e q são fonte de inspiração sempre.

É um desejo meu desenvolver alguns tutoriais para falar sobre design/ilustração/programação, mas tudo está meio embrionário. Em futuro próximo, quero comentar como foi o processo criativo para criar esses padrões, mas por ora o resultado pode ser conferido aqui e aqui.

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Calçadas

O Dia do Pi

Pi é um dos números mais conhecidos e famosos. Para “homenageá-lo”, o dia 14 de março foi batizado de o Dia do Pi. Mas vc pode se perguntar: Pi começa com 3,14… e 14 de março seria 14/3… O q uma coisa tem a ver com a outra? É q a data só faz sentido se usarmos a língua inglesa, onde o mês antecede o dia. Enfim…

Há um bom tempo, fiz uma brincadeira em q tomei alguns dos infinitos algarismos de Pi, separei em blocos de 6 algarismos e converti esses blocos em cores (usando o sistema hexadecimal).

O resultado pode ser conferido aqui.

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O Dia do Pi