Sinais

Na Matemática, tome cuidado com os sinais! Um ponto de exclamação após um número significa q vc deve multiplicar todos os números inteiros de 1 até esse número. Essa parada se chama fatorial do número. Fique ligado!

Sinais

Rio 40 graus

A primavera resolveu se despedir mais cedo na capital do antigo Estado da Guanabara este ano. Desde domingo último, 15/12, os termômetros registraram altas temperaturas aqui no Rio de Janeiro. É o verão chegando. Difícil manter-se em casa sem uma boa refrigeração, difícil até para estudar, mas vamos lá. Algumas aquarelas, manchas de guache q depois viraram cabeças estilizadas e uma primeira tentativa de representar os telhados q avisto da janela do meu quarto feito à carvão.

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Rio 40 graus

“Pela tela, pela janela”

Novembro se despede num sábado de sol aqui no Rio de Janeiro. Aproveito o dia para tirar a ferrugem da aquarela depois de ter visto pela n-ésima vez ontem um documentário sobre o pintor Paul Klee. As aguadas serviram como aquecimento, um “polichinelo” para começar o dia.

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Aquecimento matinal. Ainda voltarei à aquarela. Por enquanto só brincadeiras.

A principal razão de ter optado pelo apartamento em q estou morando é uma espécie de “avanço” na sala com uma boa janela, quase do teto ao chão. Aí montei a prancheta e faço meus estudos tradicionais – o computador ficou no quarto, mas ele também já visitou este espaço, numa espécie de rodízio q promovo de tempos em tempos.

A vista da janela não dá para uma paisagem paradisíaca, bucólica ou algo do gênero. Minhas posses não me permitem isso ainda. Todavia gosto do q vejo: as construções vão-se “achatando” e o efeito final é o de um mosaico de retângulos (algo tb comum em alguns dos quadros de Klee). Há tb telhados em disposição triangular, outro tema q me agrada, mas q são melhor vistos da janela do meu quarto.

Hj arrisquei retratar um pouco desse mosaico, nada ainda com cor, apenas me concentrando nas linhas e massas. Escolho um pedaço da vista e realizo um esboço rápido, fugindo à tentação de riscar detalhes. Em seguida, com nanquim e pincel, busco a síntese com linhas e  manchas. Meu objetivo não ė partir para pintura, mas uso o pincel para gerar texturas e preencher áreas de forma rápida. Ao final, tento abrir luzes com o nanquim branco. O resultado final me agradou. Outros estudos virão.

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Vale destacar q, embora eu tenha usado uma foto para ilustrar o post, o desenho foi feito observando diretamente a cena. Noto uma diferença muito grande entre qdo desenho a partir de uma foto ou do motivo “real”, sendo este último bem mais dificil, por causa da escala dos objetos, a própria ótica e outros fatores mais subjetivos. Em todo caso, as 2 situações são desafiadoras.

“Pela tela, pela janela”

O desenhar

“Na criação de formas gráficas bidimensionais, a linha representa o meio expressivo mais simples e puro e, ao mesmo tempo, também o mais dinâmico e versátil.”

– Sinais & Símbolos, Adrian Frutiger

O desenho acompanha minha vida desde q “me entendo por gente”: começou na minha infância; adentrou a fase escolar; dividiu meu tempo durante o ensino médio; ganhou mais ênfase na fase universitária; segue comigo até hoje. Não é minha atividade fim, mas é meio, recurso, para quase tudo na minha vida profissional.

Após 4 décadas convivendo comigo mesmo, algumas coisas a gente aprende no ofício ou atividade q persiste em nossa vida por tanto tempo.

Uma delas é encarar o desenho como um instrumento de fato, algo como a nossa letra. Tem gente q tem “letra bonita”; outros têm “letra de médico”; alguns terão “letra de criança”; e por aí vai… Apesar da análise estética, o mais importante de uma letra é o registro das ideias e a comunicação das mesmas. Se eu pego um texto escrito e consigo lê-lo, a beleza da caligrafia não é o mais importante. Posso até prestar atenção a isso, mas certamente – pelo menos para mim – a função da letra é outra. Então por que seria diferente com o desenho? Leva um bom tempo para gostar do próprio desenho. Isso vai variar de pessoa para pessoa, do momento pelo qual estamos passando. Seu desenho é seu. É sua expressão, sua voz. Assim como a letra, a voz é outra coisa q é particular e gera julgamentos: voz “bonita”, voz de “taquara”…

O desenho ganhou status de arte. E talvez seja uma arapuca. Não existe “galeria de letras artísticas”. Existem textos artísticos, mas é outra coisa. Estimulo e faço uso e abuso dos cadernos de esboço, os sketchbooks. Eles são os meus diários gráficos, o meu “hd” de ideias, o laboratório. Não são objetos para serem venerados ou apreciados como se faz com uma peça de arte. Todavia nós os transformamos nisso pq já vimos muitos destes cadernos de outras pessoas e dá a sensação de q até o “esboço” do outro é mais belo q o nosso mais esforçado e finalizado desenho. Caderno de esboço é pra ter isso: esboço, rascunho, “garrancho”, “tosqueira”.

O caderno de esboço do Leonardo da Vinci certamente é mais bonito do q boa parte dos nossos desenhos mais bem acabados, mas deixa o cara lá! Não é fácil pra mim tb, mas é um exercício, um dia após o outro. Desenhando sempre e “desencucando”.

Comecei esse post citando um trecho de um livro muito bom, do Adrian Frutiger. O desenhista tem na linha sua grande “parceira”, como o pintor tem na mancha a sua “aliada”. Não tenho o hábito de registrar o começo de alguns desenhos, mas acredito q qualquer linha pode terminar em um desenho. A imagem abaixo é um exemplo disso: eu tive a ideia de uma “casa em forma de rosto”. Comecei a rabiscar. O traço foi saindo bem diferente daquilo q eu queria, todavia eu persisti. Em uma certa hora o desenho começou a me agradar e eu fui melhorando as formas. Gostaria de ter registrado o final do grafite antes de partir para uma “finalização” com guache. Então fica pra próxima.

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O desenhar

Três posts pelo preço de um

Meu último post foi em meados de outubro e já estamos próximos da metade do mês de novembro de 2019. Algumas coisas (boas) aconteceram em outubro, como a minha primeira participação em um desafio anual chamado Inktober (uma brincadeira com as palavras ink e October, da língua inglesa): a ideia é fazer um desenho – geralmente “a traço” – por dia, durante os 31 dias do mês de outubro e postar as imagens em redes sociais. Eu adiei essa ideia por bastante tempo – a iniciativa data de 2009 e desde então muita gente aderiu ao desafio. Neste ano eu quis tentar, mas fiz diferente: ao invés de desenhar todo dia, eu desenhei nos dias do mês cujos números fossem primos. Mole, não? Nos 31 dias de outubro contamos 11 números primos (2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29 e 31). E chamei minha brincadeira de Primo nosso de cada dia. Procurei fazer os desenhos me referindo aos eventos comemorados nestes dias ou simplesmente abordando alguma característica/curiosidade dos números. O resultado pode ser conferido no meu Instagram.

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Todos os números q fizeram parte do Primo nosso de cada dia. Embora o número 1 não seja primo, foi importante para dizer quem é e quem não é primo.

Ainda em outubro desenhei para a seção Oráculo, da revista Superinteressante. O resultado ficou bem bacana e ter a chance de ilustrar para uma revista q fez parte da minha infância e adolescência foi como um presente, uma vez q meu aniversário foi em outubro também. Tomara q não siga o mesmo padrão da ocorrência dos aniversários, pois não gostaria de esperar até o ano q vem para participar de novo da revista, mas isso já não está mais nas minhas mãos. As ilustrações estão tanto na versão impressa da revista (mês de novembro) bem como no perfil de Instagram da Super.

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Páginas da seção Oráculo da edição de novembro de 2019 da Superinteressante. Além da abertura, três outras ilustrações minhas estão presentes na seção.

Pra fechar a “trilogia”, algumas páginas resultantes de estudos em guache e nanquim, baseados nas “vídeo-aulas” do Davi Calil,  grande ilustrador e professor de guache na Quanta Academia de Artes. O cara tem um canal no YouTube com 100 vídeos (até então) em “tempo real”, em q ele pinta e dá altas dicas de pintura e desenho. Recomendo muito!

 

Três posts pelo preço de um

Treze

Supersticiosos de plantão, esta é a primeira das 2 únicas sextas-feiras 13 do ano de 2019. Comemoremos o dia deste número primo injustiçado desde os tempos mais remotos, mas que não tem culpa nenhuma no cartório (rs)!
E nos vemos em dezembro, quando teremos a outra sexta-feira 13 deste ano.
Ah, e detalhe: fiquem tranquilos pois em cada ano não há mais que 3 sextas-feiras com esse número. Tá bom, né?
Sextou

Treze

Geometria, I Ching, sistemas de numeração e um pouco de análise combinatória

O título é grande, mas vcs vão perceber q faz um certo sentido.

Dia desses eu estava pesquisando um polígono para fazer uma história em quadrinhos: o octógono. Por definição, um octógono é um polígono que possui oito lados. Simples assim. Entretanto só me interessava o octógono regular, ou seja, aquele q possui os oito lados de mesmo tamanho e todos os ângulos com a mesma medida.

Durante a pesquisa, esbarrei-me com a figura utilizada no I Ching. Não conheço nada sobre o oráculo chinês e vou focar apenas nos aspectos formais do desenho. De cara nota-se a presença de 8 conjuntos de traços, chamados trigramas. E por que 8? Porque 8 é o número de grupos de três elementos possíveis de serem formados utilizando os dois “valores” apresentados, isto é, o traço inteiro e o traço interrompido. Se quiséssemos grupos contendo 4 traços, o resultado seria 2^4 (2 elevado a 4), e teríamos 16 possibilidades.

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O símbolo do yin yang cercado pelos oito trigramas do I-Ching. Com 2 valores é possível formar 8 grupos de 3 elementos, isto é, 2^3 (2 elevado a 3).

Depois percebi q poderia fazer uma associação numérica entre símbolos e números e atribuí ao traço interrompido o valor 0 e ao traço inteiro o valor 1. Nota-se, desta forma, q o desenho do I Ching usa um sistema binário na sua construção: cada trigrama pode ser escrito em zeros e uns.

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Associação dos traços de construção dos trigramas aos algarismo 0 e 1.

iching_i-ching-binarioFinalmente “traduzi” para o sistema decimal os “números binários” do desenho do I-Ching.  Encontrei algumas variações para a disposição dos trigramas no octógono, mas uma delas parece ser a mais utilizada: aquela q dispõe o “7” no topo e o “0” na base. Note que se tomarmos os números associados aos lados opostos do octógono, sempre teremos a soma dos mesmos igual a 7.  Além disso notei duas “linhas de crescimento”: uma partindo do 0 e indo até o 3 e outra, oposta, partindo do 4 em direção ao 7.iching_i-ching-decimal.jpgEsse foi um exercício de investigação sem nenhuma pretensão mais séria. Beira o entretenimento e não possui aplicação prática. Todavia, são atividades como essa q exercitam minha criatividade, pois trabalho com associações e interpretações livres. Para fechar o post, reservei uma análise q seria a mais “viajante” dentro deste estudo.

O símbolo do yin yang também aparece no desenho. Percebi algumas variações na sua disposição dentro do octógono, mas a q escolhi tb foi a mais utilizada. Ao analisar as duas “gotas” contrastantes do símbolo, notei uma associação interessante com os números binários dos trigramas. Os números 000, 001, 010 e 011 (q seriam o 0, 1, 2 e 3 no sistema decimal) possuem o 0 como algarismo de “maior peso” (assinalados em negrito). Já os números 100, 101, 110 e 111 (o 4, 5, 6 e 7 no sistema decimal) possuem o 1 ocupando a posição mais “pesada” do número. Assim como o preto e o branco são as partes binárias do desenho, este padrão tb aparece nos números associados às “gotas” do desenho. O 0 é formado pela repetição de três algarismos 0, representando a parte mais “concentrada” da cor escura do símbolo do yin yang, ao passo que o 7 é formado por três algarismo 1, sendo a parte mais “concentrada” da gota clara do desenho.

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A parte preta do símbolo do yin yang parece “reger” os números mais “baixos”, q possuem o 0 na posição mais “pesada” do número. A parte branca do símbolo “regeria” os números q possuem o 1 como posição de maior peso.

E isso é só o começo. Outras interpretações podem surgir e acho melhor parar por aqui antes q me perguntem o q ando fumando ou se já tomei “meu remédio” hoje.

Geometria, I Ching, sistemas de numeração e um pouco de análise combinatória