“All we need is love”

Quando eu era criança, lembro de ter conseguido um selo q eu achei (e ainda acho) muito bonito. Trazia ele apenas uma palavra impressa com uma fonte serifada (além da informação do preço e localidade). Não sei porque, mas ali o gosto pela tipografia já despontava, pois diferente de outros selos – q geralmente eram estampados com fotos, desenhos, gravuras – este só exibia letras e me fascinou. É claro que tudo ali funcionava, a começar pela palavra: LOVE. Quatro letras, duas consoantes, duas vogais. As cores e o “charme” da letra “O”, quebrando o rigor da fonte, permitindo-se sair do eixo, tudo harmônico. O autor da imagem é Robert Indiana e o selo que exibia seu trabalho tornou-se um ícone visual (como o  I ❤ NY). O selo começou a circular em janeiro de 1973, embora a imagem tenha sido criada anos antes. Descobri inclusive que se tratou de uma série serigráfica e ainda é possível adquirir uma cópia.

Anos mais tarde, eis q me envolvi com muita coisa: design, matemática, quadrinhos, ilustração, computação gráfica… Fiz duas versões utilizando a mesma palavra. As letras L, O, V e E, quando maiúsculas, podem ser representadas como formas geométricas muito simples: triângulos, círculos e retângulos. E apesar da simplicidade da forma, a “mensagem” é um dos maiores tesouros q podemos conquistar.

Ah! Disponibilizei as versões do meu LOVE na minha “lojinha virtual” no Colab55. E vale lembrar q o Dia dos Namorados vem aí, ok?

 

 

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“All we need is love”

“A lúgubre tristeza dos ângulos retos”

Ângulos retos
O ângulo que mede 90 graus recebe o nome de reto. Este, quando aparece em um triângulo, batiza-o de triângulo retângulo e o lado a ele oposto é chamado de hipotenusa.

Nos quadriláteros, a presença de um ou mais ângulos retos também é digna de nota: retângulos, trapézios retângulos e quadrados possuem ângulos iguais a 90 graus em sua constituição.

Também na literatura vamos encontrar referências ao ângulo reto. Victor Hugo, em sua obra “Os Miseráveis”, descreve uma paisagem nada agradável formada por “longas linhas frias e a lúgubre tristeza dos ângulos retos.” Outro autor, Júlio Verne, em “A volta ao mundo em 80 dias”, refere-se (pelo menos) duas vezes ao ângulo de 90 graus. Na tradução de Antonio Caruccio Caporale (L&M Pocket), vamos encontrar o protagonista da trama, o fleumático Phileas Fogg, “sentado em ângulos retos em sua poltrona…” Mais adiante, o escritor francês também faz referência ao seu compatriota, e recorre à mesma tristeza dos ângulos retos, quando descreve a paisagem urbana de uma cidade localizada nos Estados Unidos.

Coitados dos ângulos de 90 graus. Tão austeros e notáveis em sua “retidão”, todavia tristes.

“A lúgubre tristeza dos ângulos retos”