Desenhar do caos

Já vai um bom tempo q não desenho. Sempre bate um medo disso, mas talvez faça parte do meu processo. Como o desenho já não é mais uma obrigação, ele aparece “quando quer”. Até pq me falta responder: o q desenhar? Dias atrás, peguei uma folha de papel e comecei a riscar aleatoriamente, como se fosse um “aquecimento”. Linhas curvas, soltas, despretensiosas. Apenas para cobrir a superfície do suporte. Devidamente “aquecido”, fui desenhar “racionalmente” (em outro papel). Estava esboçando um cartum e não curti muito os resultados. Voltando ao papel de aquecimento, rapidamente enxerguei uma “ordem” nas linhas. Pena não ter registrado  o momento em q uma imagem começou se formar diante de mim.

A partir daquele momento, o desenho surgiu e eu só precisei dar forma. É claro q a partir deste ponto, o racional, o técnico começou a trabalhar, mas gostei muito de ter dado ao “acaso” a oportunidade de ditar o q deveria ser feito. Imagino q muita gente, principalmente desenhistas de concept devem usar artifícios parecidos para não cair em armadilhas do cerébro ou da memória e, desta forma, oferecer algo novo. Afinal, concept é conceito, ideia, precisa ser nova, fora de um contexto estabelecido.

Segue então o resultado, q jamais teria saído desta forma se não tivesse feito como relatei. Batizei de “índio”.

Desenhar do caos