Procreate

To procreate – procriar

Crescei e multiplicai-vos – Gn 1:28

Procreate é o nome de um software gráfico muito utilizado por quem possui I-Pad. Como faço parte deste grupo, desde q vi o programa pela primeira vez eu quis usá-lo. Na internet vamos encontrar uma variedade muito grande de trabalhos desenvolvidos usando o programa. Trabalhos de cair o queixo. Não é o meu caso, leitor, sinto muito.

Gostei do programa (q dialoga com outros como o Photoshop pelo uso de camadas, brushes diversos, efeitos), mas eu confesso q uso cerca de 3 a 5% do q a ferramenta pode oferecer. Por ora me satisfaz, vou devagar “porque já tive pressa” e hoje “só levo a certeza/ de que muito pouco sei/ ou nada sei”.

Uma das coisas de q mais gostei foram os brushes q simulam lápis e caneta, bem como um outro chamado stucco. A maneira de preencher formas é bastante prática tb.

Carros Aves

Agora só me resta fazer o que o versículo pede: crescer e multiplicar. E tomar cuidado para não transformar to proceate em to procrastinate.

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Procreate

Nus estudos

Mais um sábado passou e venho mantendo a promessa de praticar técnicas tradicionais de ilustração, isto é, algo meio “digitaless”.

Devo dizer q, por muito tempo, condicionei estudar com fins práticos. Já comentei q estudar aquarela, no passado, foi movido pelo desejo de participar de salões de humor. Naquela época eu precisava de um “mote” para estimular os estudos. Depois acabei meio q usando isso pra tudo: a necessidade me fazia correr atrás de produzir. Não me refiro à necessidades externas, mas internas.

Ao publicar um story no Instagram mostrando minha mesa de trabalho do dia 2/2, um amigo me perguntou depois o q eu estava aprontando. Eu falei q não tinha nada em mente. Estava seguindo apenas uma meta de começo de ano: praticar, estudar, investigar. Até qdo isso será assim eu não sei, mas vou viver um dia de cada vez. Mesmo assim acabei dizendo q tencionava montar oficinas de ilustração. Mas isso só deverá acontecer mais à frente. E para tanto eu preciso praticar um pouco mais.

Se no passado eu me dizia, por exemplo: “vou fazer um cartum para participar de tal concurso” e isto me dava foco, tirando essa motivação, como fazer? No sábado eu simplesmente estendi os papéis sobre a bancada e… esperei. Nada na cabeça. Rapidamente a mente pragmática começa a zunir e a cobrar coisas como “vc está perdendo tempo”, “vc deveria estar fazendo isso, fazendo aquilo”. Dar ouvido a essas vozes é a pior coisa a fazer. Foi aí q tive o insight: vou riscar uns nus. Desenhei muito nu artístico qdo morei em São Paulo e um pouco qdo trabalhei na 2DLab. É um tema de q gosto muito, mas desta vez eu não iria ligar computador, selecionar modelo e desenhar. Fiz de memória, só para aquecer. Queria estudar pastel e guache. O nu não era o objetivo. E esses exercícios são ótimos, pois eles vão me dando dicas, caminhos, possibilidades para quando surgir um tema de verdade, ou seja, aumentam meu repertório. Após os nus, fiz mais dois estudos e terminei a parte da manhã de sábado.

À tarde a ideia era fazer algo mais objetivo, pois o treinamento “livre” foi durante a manhã. Mais “aquecido”, parti para desenvolver um rascunho antigo. Infelizmente não registrei as duas etapas iniciais: a marcação a lápis e a marcação com guache. Como ainda estou me aperfeiçoando com a técnica, ao cobrir o desenho a lápis com a tinta guache preta, veio-me um sentimento q, na minha opinião, difere o iniciante do veterano: acreditar q aquelas manchas pretas meio caóticas irão se tornar uma ilustração de fato. O iniciante vacila, hesita, quase desiste frente ao “caos” inicial. O veterano tem a experiência a seu favor. Ele sabe q o aparente “desastre” do começo é só um processo para chegar ao final. Eu estou no meio do caminho. Ainda dá desespero ver a técnica ser meio “selvagem”, mas sigo em frente, acreditando e perseverando.

O resultado me agradou e reforça o q relatei acima, isto é, se tivesse ficado com “medo de errar”, q é um sentimento dos mais comuns para quem está começando ou ainda caminhando, não me surpreenderia positivamente com o trabalho final.

Abaixo, alguns registros do que foi mais um sábado entre tintas, papéis e diversão.

 

Nus estudos

Aurora

Tenho me programado para, no sábado pelo menos, dedicar-me à ilustração mais tradicional. É um momento mais experimental, sem criar expectativas ou correr atrás de resultados a curto prazo. Não faz parte de listas de começo de ano, mas calhou de acontecer no início de 2019. A semana é apertada e este é o tipo de atividade q e eu desejo duas coisas: não ter hora pra começar, tampouco hora para acabar. Meio difícil em meio a contextos tão cheios de horários, metas, objetivos. Confesso q isso por vezes me cansa. É a era da (enxurrada de) informação, cada um querendo dizer q seu conteúdo é vital, promissor, revolucionário. A gente gasta tanto tempo escolhendo o quer ver, q não sobra tempo para ver aquilo q escolhemos, quando escolhemos.

Resolvi abrir um dos vários cadernos de apontamentos e desenvolver algumas ideias, alguns rascunhos q rabisquei em algum momento lá atrás. E uma das muitas coisas a aprender: nem sempre vai sair do jeito q eu pensei q iria ficar. Aqui valem várias reflexões. Se eu não conheço ou domino a técnica, estarei ainda à mercê do q vai acontecer, isto é, a técnica ainda “controla” a situação. O remédio é praticar: qto mais prática, mais domínio, menos agilidade, mais controle. Mas ainda há outra coisa: mudanças no design, na forma. Coisas q nasceram no rascunho de uma forma são transformadas pela linguagem. Exemplo: uma estrela a lápis não será a mesma estrela qdo eu usar tinta. Talvez a prática também ajude a aproximar as coisas, mas devo dizer q é mais rico ver como a técnica vai “dizer” tal coisa do que forçá-la a “dizer” como eu quero. Não gosto das palavras controlar ou dominar (embora eu as tenha usado acima). Dá sempre a sensação de q algo ou alguém foi subjugado. Melhor falar sobre concessões: deixar q as coisas sejam um pouco como elas podem ser e me surpreender com os resultados.

A ilustração do fim de semana começou no sábado e terminou no domingo. Em meio ainda às cobranças internas, quase abandonei-a no meio do caminho, mas perseverei. As fotos estão bem melhores q a versão real, o q me estimulou a divulgar o resultado. O objetivo aqui é o processo, a caminhada, a trajetória. E o discurso q nasce disso tudo.

Não costumo batizar ilustração, mas neste caso foi diferente e esta leva o nome do título deste post.

Aurora

Dos meus tempos de criança

Foi numa história em quadrinhos Disney. O tema era artes. Pouco lembro a história, os personagens, nada. Mas a lembrança dos “extras” ainda persiste. O gibi trazia algumas atividades q poderiam ser realizadas por crianças. Uma delas ficou na minha memória e até hoje eu me recordo. Já escrevi a respeito em uma postagem anterior, mas resumidamente trata-se de uma técnica q envolve giz de cera e tinta nanquim. Sobre o papel, rabisque manchas com o giz de cera. A seguir, cubra tudo com nanquim preto. Como o nanquim é à base água e o giz é oleoso, eles não vão se misturar. A tinta vai secar e ficar sobre o giz. Quando estiver seco, raspe a tinta devagar e a cor do giz será revelada. Simples assim.

Hoje eu faço minhas adaptações. Ao invés de giz de cera, uso pastel oleoso, q possui uma paleta um pouco mais rica q as cores do giz. E no lugar do nanquim eu uso guache preto. Para a raspagem, estilete, mas também consigo efeitos interessantes usando palha de aço para raspar a tinta.

Recentemente tirei as tintas, os pincéis e os papéis das caixas. Sobre a mesa/bancada improvisada, ideias vão ganhando forma novamente. Na contramão da tecnologia, as técnicas tradicionais trabalham os sentidos: a visão, o tato, o olfato, até a audição são impressionados.

 

Dos meus tempos de criança

Investindo em si mesmo

Sim, eu comprei um. Relutei um pouco, adiei ao máximo, mas no final eu sucumbi e “fiz o que deveria fazer”.

Já há algum tempo eu via as possibilidades ou o que muita gente estava fazendo com um I-Pad Pro e o tal Apple Pencil. A gente sabe que a ferramenta pode até importar, mas o mais importante é quem a manuseia. Estou longe de ser um virtuose no desenho, ilustração ou pintura. O tempo vai passando e mais e mais vou-me distanciando das tendências atuais e procurando amadurecer algo meu. O risco é grande, mas no meu caso é meio que inevitável. Tem uma galera muito boa surgindo. Gente muito mais nova com mais pique, conhecimento e mais energia para gastar. A concorrência é grande e eu estou entrando em outro ciclo, outa fase.

Venho tomando cacetadas para usar o novo “device”, mas é só me lembrar o quanto foi um parto migrar do CorelDRAW para o Illustrator, ou começar a usar a Cintiq, que ainda me acompanha e ainda é o carro chefe quando quero desenhar digitalmente. Mas resolvi que precisava de um update. A superfície do tablet é ainda estranha, a mão treme, não acompanha o que eu quero, mas tudo é processo. Durante meu recesso de fim de ano, usei pouco o digital e risquei mais no caderno, que é meu companheiro de todas as horas.

Mas o ano começou e é preciso se atualizar. Na verdade a compra foi feita durante a Black Friday do ano passado, no esforço de aproveitar preços mais competitivos, mas não tem jeito: morando no país em que vivo, não vivendo de arte, e tendo um mundo de outras “contas para pagar”, uma decisão como esta deve ser tomada com muita cautela. por mais que seja um investimento, infelizmente ainda entra na lista de luxo. A última grande compra de hardware que fiz foi um I-Mac (e isto faz bastante tempo já).

Já era hora de empenhar um rim para continuar a caminhada. Afinal de contas, quem precisa de 2 se posso viver perfeitamente com apenas um? rs

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Investindo em si mesmo

“A lúgubre tristeza dos ângulos retos”

Ângulos retos
O ângulo que mede 90 graus recebe o nome de reto. Este, quando aparece em um triângulo, batiza-o de triângulo retângulo e o lado a ele oposto é chamado de hipotenusa.

Nos quadriláteros, a presença de um ou mais ângulos retos também é digna de nota: retângulos, trapézios retângulos e quadrados possuem ângulos iguais a 90 graus em sua constituição.

Também na literatura vamos encontrar referências ao ângulo reto. Victor Hugo, em sua obra “Os Miseráveis”, descreve uma paisagem nada agradável formada por “longas linhas frias e a lúgubre tristeza dos ângulos retos.” Outro autor, Júlio Verne, em “A volta ao mundo em 80 dias”, refere-se (pelo menos) duas vezes ao ângulo de 90 graus. Na tradução de Antonio Caruccio Caporale (L&M Pocket), vamos encontrar o protagonista da trama, o fleumático Phileas Fogg, “sentado em ângulos retos em sua poltrona…” Mais adiante, o escritor francês também faz referência ao seu compatriota, e recorre à mesma tristeza dos ângulos retos, quando descreve a paisagem urbana de uma cidade localizada nos Estados Unidos.

Coitados dos ângulos de 90 graus. Tão austeros e notáveis em sua “retidão”, todavia tristes.

“A lúgubre tristeza dos ângulos retos”