Fenestras

Hora de veicular umas coisas produzidas ao longo desses meses de quarentena.

Criei um perfil no Instagram para divulgar meus estudos de javascrpit/p5, chamado CodingP5 (tentei algum nome sintético em português, mas não consegui). Lá eu publico tanto meus experimentos pessoais, qto uma espécie de “tentativa de criar uma didática para iniciantes” (eu tb me considero um) com postagens visuais sobre os comandos de p5. Aqui no blog já publiquei alguns posts voltados a apresentar de forma bem iniciática os fundamentos desta biblioteca.

Uma das postagens foi uma série de janelas desenhadas utilizando apenas comandos básicos, como os usados para criar linhas e retângulos, bem como alterar espessura de traço e cores. Meu objetivo é mostrar q com pouca coisa já é possível ter resultados interessantes. Não quer dizer q seja rápido ou fácil. Para o desenho figurativo, muitos vão concordar q usar código parece reinventar a roda, uma vez q tudo deve ser criado do “zero”, linha por linha. Eu considero como um exercício de fixação de conceitos. Falar sobre aprendizado por repetição, desenvolvimento de paciência e perseverança parece um discurso bem difícil e desagradável em meio a uma atualidade tão instantânea e apressada, ansiosa e q perde o interesse rapidamente, ávida por novidades o tempo todo.

Fenestra é um termo antigo para janela. Janelas são criações q conectam o mundo exterior ao interior. O momento atual pede um cuidado com a casa interna e o mundo q nos cerca.

Fenestras

“Pela tela, pela janela”

Novembro se despede num sábado de sol aqui no Rio de Janeiro. Aproveito o dia para tirar a ferrugem da aquarela depois de ter visto pela n-ésima vez ontem um documentário sobre o pintor Paul Klee. As aguadas serviram como aquecimento, um “polichinelo” para começar o dia.

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Aquecimento matinal. Ainda voltarei à aquarela. Por enquanto só brincadeiras.

A principal razão de ter optado pelo apartamento em q estou morando é uma espécie de “avanço” na sala com uma boa janela, quase do teto ao chão. Aí montei a prancheta e faço meus estudos tradicionais – o computador ficou no quarto, mas ele também já visitou este espaço, numa espécie de rodízio q promovo de tempos em tempos.

A vista da janela não dá para uma paisagem paradisíaca, bucólica ou algo do gênero. Minhas posses não me permitem isso ainda. Todavia gosto do q vejo: as construções vão-se “achatando” e o efeito final é o de um mosaico de retângulos (algo tb comum em alguns dos quadros de Klee). Há tb telhados em disposição triangular, outro tema q me agrada, mas q são melhor vistos da janela do meu quarto.

Hj arrisquei retratar um pouco desse mosaico, nada ainda com cor, apenas me concentrando nas linhas e massas. Escolho um pedaço da vista e realizo um esboço rápido, fugindo à tentação de riscar detalhes. Em seguida, com nanquim e pincel, busco a síntese com linhas e  manchas. Meu objetivo não ė partir para pintura, mas uso o pincel para gerar texturas e preencher áreas de forma rápida. Ao final, tento abrir luzes com o nanquim branco. O resultado final me agradou. Outros estudos virão.

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Vale destacar q, embora eu tenha usado uma foto para ilustrar o post, o desenho foi feito observando diretamente a cena. Noto uma diferença muito grande entre qdo desenho a partir de uma foto ou do motivo “real”, sendo este último bem mais dificil, por causa da escala dos objetos, a própria ótica e outros fatores mais subjetivos. Em todo caso, as 2 situações são desafiadoras.

“Pela tela, pela janela”