“A lúgubre tristeza dos ângulos retos”

Ângulos retos
O ângulo que mede 90 graus recebe o nome de reto. Este, quando aparece em um triângulo, batiza-o de triângulo retângulo e o lado a ele oposto é chamado de hipotenusa.

Nos quadriláteros, a presença de um ou mais ângulos retos também é digna de nota: retângulos, trapézios retângulos e quadrados possuem ângulos iguais a 90 graus em sua constituição.

Também na literatura vamos encontrar referências ao ângulo reto. Victor Hugo, em sua obra “Os Miseráveis”, descreve uma paisagem nada agradável formada por “longas linhas frias e a lúgubre tristeza dos ângulos retos.” Outro autor, Júlio Verne, em “A volta ao mundo em 80 dias”, refere-se (pelo menos) duas vezes ao ângulo de 90 graus. Na tradução de Antonio Caruccio Caporale (L&M Pocket), vamos encontrar o protagonista da trama, o fleumático Phileas Fogg, “sentado em ângulos retos em sua poltrona…” Mais adiante, o escritor francês também faz referência ao seu compatriota, e recorre à mesma tristeza dos ângulos retos, quando descreve a paisagem urbana de uma cidade localizada nos Estados Unidos.

Coitados dos ângulos de 90 graus. Tão austeros e notáveis em sua “retidão”, todavia tristes.

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“A lúgubre tristeza dos ângulos retos”

Literatura + matemática

 

Já era para eu ter escrito sobre este tema há algum tempo. Abrindo uma brecha nas postagens puramente figurativas, uma pausa para falar sobre livros. E isso aconteceu porque entrei novamente na fase de ler. Obedeço (ou tento) os meus ciclos: ora dá vontade de fazer uma coisa, ora dá vontade de fazer outra. Já foi assunto abordado aqui, mas é bom sempre (me) lembrar. E quando eu leio, tenho vontade de escrever. E o tema será o “casamento” entre a literatura e a matemática (vou tomar a liberdade de me referir às disciplinas em letras minúsculas), ou melhor, como a matemática acaba virando tema para obras literárias. Recentemente,  tomei conhecimento de um romance, escrito por uma autora japonesa. Desconheço a literatura vinda da Terra do Sol, ainda mais versando sobre matemática.

Faz tempo, li A solidão dos números primos após ter assistido ao filme (o intervalo entre os dois – ver o filme e ler o livro – foi grande). O autor, Paolo Giordano, italiano, é formado em física e é possível notar como ele deixa a intimidade com as disciplinas “exatas”  transparecer durante a trama, embora os conteúdos dessas disciplinas apareçam como metáforas ou elementos coadjuvantes, pois um dos personagens acaba se tornando matemático. O livro é bastante humano e a densidade dos dramas dos personagens faz o clima pesar de vez em quando.

Já em A fórmula preferida do professor, da autora Yoko Ogawa, a matemática é apresentada de forma mais direta, pois um dos personagens da trama é um professor de matemática que sofre de perda de memória recente. Pode-se imaginar que com este tema as coisas serão tristes, mas não é bem assim. Fiquei sabendo do livro por uma amiga que me apresentou um canal que comenta livros, o LidoLendo, e nas palavras da comentarista, a leitura é singela e leve. De fato é isso mesmo! O livro é encantador e a matemática é abordada de uma maneira que me fez lembrar de O Homem que Calculava, quando alguns assuntos da matéria são tratados de forma didática. Mais uma lembrança que me veio foi outro livro, O último teorema de Fermat, bastante comentado por mim e lido algumas vezes. A autora cita alguns nomes da matemática na sua obra, principalmente dois matemáticos japoneses que foram importantes para que o teorema de Fermat fosse comprovado nos anos 90 pelo professor Andrew Wiles. Ter lido O último teorema de Fermat me fez conhecer os japoneses Yutaka Tanyama e Goro Shimura, citados por Yoko no seu trabalho.

Ainda há um outro livro que está na minha lista: Tio Petros e a Conjectura de Goldbach, escrito por um grego nascido na Austrália mas criado na Grécia, Apostolos Doxiadis, e que versa sobre mais uma pedra no sapato da matemática.

Italianos, japoneses, gregos e a interseção entre suas obras literárias: a matemática!

Literatura + matemática

Vale mesmo?

pierre Eu me pergunto várias vezes sobre a necessidade ou mesmo a utilidade do meu trabalho. Já conto aí um bom tempo desde q comecei a trabalhar, sempre buscando fazer aquilo de q gosto, mesmo q a recompensa financeira não seja das melhores, as oportunidades sejam escassas ou ainda q o mercado passe por instabilidades.

Atualmente trabalho em um colégio público bastante conhecido e conceituado no Rio de Janeiro: o Pedro II. A diferença é q agora atuo na minha área de formação, ou seja, sou programador visual… e concursado. Acreditem! Isso existe. É uma forma de fortalecer a categoria, uma vez q muitos colegas acabam enveredando pelo caminho autônomo, ou trabalhando em áreas afins ou ainda mudando de ramo pois não conseguiram se inserir no mercado. Se finalmente “acordaram” para a necessidade de contratar profissionais da área é porque alguma coisa está acontecendo e talvez a pergunta do título deste post não deixe espaço para resposta negativa.

O problema não são os outros, mas nós mesmos. Neste caso, eu apenas. Mas acabo sendo “convencido” de q investir em algumas coisas pode (e muitas vezes é!) fundamental, mesmo q alguma voz interna me diga o contrário. No começo de 2016,  um departamento ligado à língua francesa do Colégio me procurou para diagramar um livro, resultado de uma oficina de escrita literária realizada com alguns alunos da instituição. Só pela chance de trabalhar com editorial de livro já valeria o esforço, uma vez q minha experiência na área é pouca (embora a vontade seja muita). Acho q queriam apenas algo mais do q um “word formatado”, isto já seria o suficiente. A proposta era fazer uma edição online: baixo custo, tranquilo. Mas tomei o desafio de fazer um material q me desse prazer ao fazer e talvez algo mais a quem solicitou. E o conteúdo parecia bastante interessante, apesar de não saber nada de francês (guiei-me pelos textos de apresentação escritos em português).

O resultado acabou agradando e vi o poder q um trabalho feito com cuidado e dedicação possui. A coordenadora do projeto correu atrás para fazer uma edição impressa, pelo menos para presentear o grupo de escritores neófitos e ainda ter um produto q pudesse representar o fruto de mais um trabalho do departamento.

A edição impressa ficou muito bem feita (ponto positivo para a gráfica Imprima Conosoco, de São Paulo). A foto acima foi feita pela jornalista q trabalha no CPII, Bianca Souza, durante a cerimônia de lançamento do livro e mostra mais um sonho conjunto realizado.

Parabéns a todos!

Ah! a versão online será disponibilizada em breve.

convitelivro

 

Vale mesmo?