Literatura + matemática

 

Já era para eu ter escrito sobre este tema há algum tempo. Abrindo uma brecha nas postagens puramente figurativas, uma pausa para falar sobre livros. E isso aconteceu porque entrei novamente na fase de ler. Obedeço (ou tento) os meus ciclos: ora dá vontade de fazer uma coisa, ora dá vontade de fazer outra. Já foi assunto abordado aqui, mas é bom sempre (me) lembrar. E quando eu leio, tenho vontade de escrever. E o tema será o “casamento” entre a literatura e a matemática (vou tomar a liberdade de me referir às disciplinas em letras minúsculas), ou melhor, como a matemática acaba virando tema para obras literárias. Recentemente,  tomei conhecimento de um romance, escrito por uma autora japonesa. Desconheço a literatura vinda da Terra do Sol, ainda mais versando sobre matemática.

Faz tempo, li A solidão dos números primos após ter assistido ao filme (o intervalo entre os dois – ver o filme e ler o livro – foi grande). O autor, Paolo Giordano, italiano, é formado em física e é possível notar como ele deixa a intimidade com as disciplinas “exatas”  transparecer durante a trama, embora os conteúdos dessas disciplinas apareçam como metáforas ou elementos coadjuvantes, pois um dos personagens acaba se tornando matemático. O livro é bastante humano e a densidade dos dramas dos personagens faz o clima pesar de vez em quando.

Já em A fórmula preferida do professor, da autora Yoko Ogawa, a matemática é apresentada de forma mais direta, pois um dos personagens da trama é um professor de matemática que sofre de perda de memória recente. Pode-se imaginar que com este tema as coisas serão tristes, mas não é bem assim. Fiquei sabendo do livro por uma amiga que me apresentou um canal que comenta livros, o LidoLendo, e nas palavras da comentarista, a leitura é singela e leve. De fato é isso mesmo! O livro é encantador e a matemática é abordada de uma maneira que me fez lembrar de O Homem que Calculava, quando alguns assuntos da matéria são tratados de forma didática. Mais uma lembrança que me veio foi outro livro, O último teorema de Fermat, bastante comentado por mim e lido algumas vezes. A autora cita alguns nomes da matemática na sua obra, principalmente dois matemáticos japoneses que foram importantes para que o teorema de Fermat fosse comprovado nos anos 90 pelo professor Andrew Wiles. Ter lido O último teorema de Fermat me fez conhecer os japoneses Yutaka Tanyama e Goro Shimura, citados por Yoko no seu trabalho.

Ainda há um outro livro que está na minha lista: Tio Petros e a Conjectura de Goldbach, escrito por um grego nascido na Austrália mas criado na Grécia, Apostolos Doxiadis, e que versa sobre mais uma pedra no sapato da matemática.

Italianos, japoneses, gregos e a interseção entre suas obras literárias: a matemática!

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Literatura + matemática

“- Science”. “- Arts”

Hoje, 22/02, é o dia da cerimônia do Oscar 2015. Resolvi batizar o post com um dos diálogos do filme sobre a vida do cientista Stephen Hawking e sua (ex) esposa. Não vi o filme ainda, mas parece ser a forma como os dois se conhecem e se apresentam na trama: o casamento da Ciência com a Arte.
Quando eu era criança, um dos meus sonhos era ser cientista. Fui daquelas crianças q mais estudou do q brincou, o conhecido CDF… Bom, acho q isso não se perde. Mas o fato é q estudar sempre teve uma importância e um valor muito grande na minha vida. Cresci cercado pelos livros de Matemática do meu pai, alguns tantos outros de Física e Química, um livro de sonetos do Vinícius (tinha uma capa em dourado e vermelho, q me atraía e muito), algum romance do Jorge Amado… Ainda hj qdo volto a Salvador e fico no apartamento onde cresci, os livros lá estão. Eu me deito na cama e levo um volume comigo. Corro sempre atrás de alguma ideia, alguma curiosidade. Na minha estante guardo e consulto os (poucos) livros de Matemática q faço questão de não me desfazer. Dia desses conversava com meu pai acerca do valor de se ter livros, apesar da internet, do e-book, do pdf lido no tablet… Tenho 2 sobrinhos… quero q eles gostem de livros também.

Foi na adolescência q eu deixei o sonho de ser engenheiro eletrônico e caí de cabeça nas Artes. Em essência, o trabalho de um cientista e de um artista não é muito diferente: ambos correm atrás do estudo, da experimentação, da investigação. O cientista debruça-se sobre tratados, teorias, utiliza um método de pesquisa, analisa, escreve, re-escreve… O artista tem nos seus pigmentos, papéis, metais, goivas, martelos, pincéis, cinzéis os instrumentos do seu “laboratório”; tem no legado de mestres do passado, na orientação de professores e colegas de estrada, na obra dos já consagrados o seu material de estudo. Ingênuo achar q o artista é movido apenas pela inspiração, pelo dom divino (tenho minha opinião a respeito do tema). Lembro de um documentário q mostrava o pintor Cezanne (se não me engano), arrumando os elementos de uma natureza morta para conseguir o melhor resultado, dentro de uma nova perspectiva de olhar e representar. Ali ele era um cientista da imagem.
Duas coisas podem nos fazer melhor do já fomos: a prática e a persistência. No sábado,  21/02, espalhei os papéis no chão do quarto, abri as tintas e me debrucei sobre eles. Num misto de estudo técnico, terapia e exercício de criatividade, Arte ainda é um dos meus melhores instrumentos de auto-conhecimento.

“- Science”. “- Arts”