Dia do Amigo

Essa história parece q tem variações. Pesquisando rapidamente na internet, vamos achar o dia 20 de julho, o dia 30 de julho e o dia 18 de abril relacionados à amizade. Vou tomar o dia 20, até pq tb é o dia do casamento de um ex-colega de trabalho e sua esposa e eu fui padrinho da união dos dois. Sou amigo e “cumpade” de ambos.

Sobre o tema amizade, eu, q tenho lá minha paixão por números e Matemática, conheci há um bom tempo uma curiosidade matemática chamada números amigos ou números amigáveis. Dois números são considerados amigos se a soma dos divisores de um deles (menos o próprio número) resultar o outro e vice-versa. O primeiro par de números q satisfazem esta condição foi encontrado pelos pitagóricos. São os números 220 e 284. A soma dos divisores de 220 (1, 2, 4, 5, 10, 11, 20, 22, 44, 55 e 110) resulta 284. E a soma dos divisores de 284 (1, 2, 4, 71 e 142) resulta 220.

Só no século XVII, em 1636, Pierre de Fermat encontrou o segundo par de números q atendem à regra, o 17.296 e o 18.416. Descartes encontrou o terceiro par (9.363.584 e 9.437.056). Cada um destes grandes nomes da Matemática encontrou apenas um número (o q por si só deve ter dado enorme trabalho), mas Euler, veio aumentar a lista adicionando 62 pares de números amigáveis! O mais interessante é q todos eles deixaram passar um par de números menor, o 1.184 e o 1.210, descobertos em 1866 por um italiano de 16 anos, Nicolò Paganini (estas informações eu as retirei do livro O Último Teorema de Fermat, de Simon Singh).

Em o Homem que Calculava, do Malba Tahan, o leitor encontrará o personagem Beremiz Samir falar sobre a amizade entre os números no capítulo 13 do livro. Todavia, no capítulo 6 existe outro caso de amizade entre números, a amizade quadrática.

Em 2011, fiz um cartum sobre a amizade entre os números 220 e 284. Este desenho já ilustrou um vídeo do professor Rafael Procópio e tb aparece aqui ou ali qdo se deseja falar sobre o tema. Mas resolvi ilustrar o caso da amizade quadrática citado por Malba Tahan. Seguem os dois.

Números amigos

Amizade quadrática

O desenho mudou bastante. Até deu vontade de redesenhar o primeiro cartum, mas fica como registro da “evolução”. No segundo, menos linhas, menos preocupação, mais síntese, talvez mais leveza. Mas a cachaça continua a mesma.

Bônus técnico sobre “design de personagem”: gosto de aproveitar a forma do número e evitar desenhar coisas a mais. Por exemplo, no caso do número 6, uso o espaço aberto do algarismo para fazer a boca. Quando estava desenhando o cartum, achei q o primeiro número a falar seria o 13. Por isso coloquei-o à esquerda da imagem. Notei q teria um problema para fazer a boca do número caso ele permanecesse à esquerda, conforme figura abaixo:

amizade_quadratica_errado

Felizmente, ao reler o texto do livro, vi q o primeiro número a falar era o 16, portanto ficaria à esquerda e o 13 à direita. Desta forma, usei o segundo “vão” do algarismo 3 para sugerir a boca do personagem e… tudo certo!

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Dia do Amigo

“Ó abre páginas, que eu quero passar”

Empolgado pela repercussão das páginas que fiz para O homem que calculava, resolvi falar um pouco sobre o processo de adaptação, que, longe de ser O método, tem atendido bem ao meu objetivo. Parte desse post foi motivado por uma amiga que viu a evolução de uma das páginas da adaptação.

A primeira pergunta dela foi: “vc faz tudo direto no computador?” Devo dizer que não tive computador sempre e usei muito papel e lápis (ainda uso, com certeza), mas para a minha produção em quadrinhos, confesso que fazer tudo no computador, além de agilizar o trabalho, me permite riscar e rabiscar à vontade, fazendo uma verdadeira “colcha de retalhos digital” (recortando, colando, ampliando, flipando, rotacioando etc). No “mundo real” tudo isso seria mais moroso e (mais) cansativo.

Neste post vou me deter a uma das etapas mais desafiadoras (na minha opinão): “abrir uma página”. Não sei se o termo “correto” é esse, mas é o que eu uso. Abrir uma página é distribuir, no espaço, os requadros, criar o ritmo da narrativa, o peso que os quadrinhos terão na página. Uma definição que pode abrir espaço para reparos, mas para mim é mais fácil fazer do que falar. Trabalho muito no esquema “começo, meio e… gancho”, ou seja, procuro fazer com que cada página leve o leitor para a seguinte. Em O homem que calculava, minha tarefa inicial foi determinar os “pontos de virada” (de página) e buscar resolver as questões dentro dos limites que estipulei. A edição do livro que possuo apresenta os 3 primeiros capítulos da obra em 9 páginas. Descontando a diagramação, devem dar de 5 a 6 páginas de texto corrido, portanto eu não queria ultrapassar o limite de 6 páginas, mas isso foi um objetivo meu.

Sabendo o que poderia conter em uma página, começo então a… desenhar? Não! Ainda considero a narrativa a coisa mais importante dentro dos quadrinhos. E o texto. Depois vem o desenho. Parece estranho, mas só comecei a agir assim depois de anos. No começo a gente quer desenhar, encher a página com gente musculosa e mulheres gostosas, perspectivas arrojadas, muita ação e pancadaria. E depois vc (ou outro) que dê seu jeito para entrar com os balões!

Diagramar uma página é uma arte e um dos meus mestres no assunto se chama Mike Mignola. Por mais que eu tente, não consigo nem de longe alcançar a elegância das páginas que ele diagrama. Sem contar com o fato de que Mignola consegue distribuir os textos sem sufocar os quadrinhos, coisa de gênio!

Hoje eu começo distribuindo os textos primeiro. E o tamanho dos quadrinhos vai se guiando pelas massas textuais. Uso uma coisa chamada “grid” tb (coisa de designer gráfico :P). Resolvida a questão, o que sobrar é onde entra o desenho. O processo se inverteu! Claro que não deixo o texto tomar conta de tudo, mas a experiência e a boa e velha “tentativa e erro” ajudam na hora de por texto e imagem para dialogar, não para discutir ou disputar.

Abaixo separei duas páginas diferentes que ilustram esse tipo de processo. Em uma delas só coloquei os textos. Já na outra, me empolguei e rascunhei como poderiam ser os desenhos, mas os rascunho só entraram depois de dispor os textos. É uma etapa muito livre, com muito espaço para experimentar, uma vez que tudo está muilto solto, com traços simples.

pg07.jpg

pg08Em uma outra oportunidade mostrarei que nem sempre as coisas saem do jeito q nascem, isto é, até a página ganhar o carimbo de “aprovada”, coisas podem acontecer, mas falarei mais sobre isso em futuro próximo.

“Ó abre páginas, que eu quero passar”