Meu livro de parábolas

O que são parábolas? Certamente vc já ouviu o termo associado a uma história, geralmente com algum princípio moral, um ensinamento. Ou então a palavra pode lhe remeter às equações de segundo grau, aquelas de “x elevado ao quadrado”. As duas ideias estão certas. Nossa língua acabou utilizando o mesmo termo para designar estas coisas tão diferentes. Na língua inglesa, o termo “parable” se refere às histórias. Já “parabola” (quase igual ao nosso, mas sem o acento agudo) designa as curvas matemáticas que fazem parte das cônicas (mas isso é assunto para outra conversa).

Aproveitando a “confusão” que pode causar usar uma mesma palavra para designar mais de uma coisa, criei um livro gráfico, chamado Meu livro de parábolas, aproximando os dois conceitos: histórias e curvas matemáticas.

Esta é uma ideia antiga. No início eu fiz uma versão estática, mas aproveitando q estou estudando HTML e outras coisas, resolvi dar uma “repaginada” e literalmente criar uma pequena página para mostrar o conteúdo do “livro”. Algumas parábolas foram rebatizadas. Conheça (ou relembre) aqui:
http://marlontenorio.com/parabolas/

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Meu livro de parábolas

Colorindo Pi

Faz um bom tempo q venho estudando alguma coisa de programação. Vencidos alguns bloqueios iniciais com internet (HTML e CSS), faltava ainda um terceiro elemento. Algumas pessoas fazem o seguinte paralelo: o HTML é o substantivo da web; o CSS seria o adjetivo e o Javascript, o verbo. De fato, boa parte da ação dentro da internet deve-se ao conhecimento e aplicação de alguma linguagem de programação e o Javascript é das mais populares.

Levei aí um bom tempo aprendendo o “a-bê-cê” de Javascript e ainda estou na fase de “soletrar” palavras, copiando frases dos outros e tentando escrever as minhas. Lembro-me q quando tinha minhas ideias, até avançava na parte visual das mesmas, mas sempre empacava na hora da programação. Ainda me recordo de um colega de trabalho, dos tempos de quando trabalhei com desenho animado, quando ele me disse: Marlon, aprende programação!

Dentre as muitas ideias “empacadas”, uma eu finalmente pude “tirar do papel” e comemoro como um grande avanço. Gosto muito da forma como as cores são “traduzidas” em números hexadecimais. Um dos meus primeiros estudos nesta área foi A cor da palavra, em que criei palavras a partir das letras da base hexadecimal (de A a F) e vi quais as cores resultantes das mesmas. Uma variação dentro deste tema seria pegar um número grande, muito grande, imensamente grande, dividi-lo em blocos de 6 algarismos e ver as cores resultantes. Então me lembrei de um dos números mais conhecidos. A minha “cobaia” foi o Pi, com seus infinitos algarismos. Com um pouquinho de paciência, consegui encontrar sites q disponibilizam seus “trocentos” primeiros algarismos. Bastaria depois “quebrar” estes algarismos, agrupá-los, criar um grid e colorir. Moleza, certo? Trabalhei com pouco mais de 10.000 algarismos de Pi. Dividindo por 6, obtive mais de 1.600 grupos, todos distintos. Mais um pouquinho de paciência e escrevi um código q serve não apenas para os 10 mil, mas eu poderia usar 100 mil, 1 milhão de algarismos, mas acho q seria um exagero (10 mil tá bom, né?).

O resultado foi um mosaico, uma “colcha de retalhos” formada por imensos “pixels” coloridos e pode ser conferido aqui. Durante o processo, lembrei-me de alguns trabalhos de Paul Klee e da minha mãe (q costurava e deve ter feito cobertas a partir de vários pedaços de tecido com certeza!).

Para um “estudante primário”, tenho ao mesmo tempo me divertido e aprendido bastante. Meu propósito estudando programação está bem longe de ser o de me tornar um desenvolvedor web. Sou (ou pelo menos me considero) artista. E todos os recursos q posso conhecer são bem-vindos como ferramentas expressivas.

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Colorindo Pi

O Homem que Calculava

Dia 6 de maio é uma data relevante para a comunidade matemática: este dia foi instituído como o Dia Nacional da Matemática. E qual a razão da escolha? Tal data celebra o aniversário do professor, escritor e matemático brasileiro Julio Cesar de Mello e Souza, mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan, q nasceu em 1895 e faleceu em 1974.

Três anos mais tarde eu nasci, mas levei outros quinze para ter contato com a obra do escritor carioca, mais precisamente em uma aula de Física, quando o professor resolveu contar uma história singular à turma: o clássico problema da divisão de 35 camelos entre 3 irmãos. A solução, engenhosa, despertou meu interesse e curiosidade. Não me recordo quando comprei o livro, mas o li algumas vezes e sonhei alto.

Parte deste sonho foi transportar as aventuras do livro para os quadrinhos. Um trabalho árduo, monumental. Ensaiei a empreitada várias vezes, sempre esbarrando em toda uma sorte de desculpas. A última tentativa tem cerca de 5 anos, mais ou menos.

Em 2014, comecei a trabalhar no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e já nos primeiros dias de trabalho eu soube q Julio Cesar havia sido professor do colégio. Em 2017 e 2018, os eventos mais importantes do mundo da Matemática acontecerão no Brasil. E o Colégio Pedro II resolveu entrar no circuito e organizou um evento que durará até o fim de 2018: o Festival da Matemática do Colégio Pedro II – FESTMATCP2.

E o q eu tenho a ver com tudo isso? O colégio me fez o convite para expor o que já havia feito sobre Malba Tahan! Agora eu precisava correr para cumprir pelo menos a meta inicial que era quadrinizar o famoso problema dos 35 camelos.

Em 5 de maio o FESTMATCP2 teve início e o colégio bancou a impressão do trabalho para exposição. Mas resolvi mostar as 6 primeiras páginas q compõem essas idas e vindas. Contei, para tanto, com a ajuda de um grande colorista, Diego Luis, que conheci nos áureos tempos quando ainda trabalhava na 2DLab.
As páginas podem ser vistas clicando sobre a imagem abaixo.

No dia 6 de maio, consegui colocar no ar o trabalho. Pelo Facebook muita gente curtiu e compartilhou, mas o q mais me chamou a atenção foi o fato de que este livro fez parte da vida de muita gente, o q me deixou feliz, satisfeito e, quem sabe, encorajado a seguir em frente.

Por ora, fica a homenagem à memória do talentoso escritor e do professor que dividiu minha vida em antes e depois de Malba Tahan.

E para terminar, algumas “curiosidades”: para adaptar o capítulo 1, usei uma página de quadrinhos; para o capítulo 2, duas; e para o 3, três páginas. Temos 6 no total. 1, 2 e 3 são os divisores de 6. Se vc somá-los ou multiplicá-los, tb teremos 6 como resultado. E 6 foi o dia em q Malba Tahan nasceu. Tá bom, né?

O Homem que Calculava