“Pela tela, pela janela”

Novembro se despede num sábado de sol aqui no Rio de Janeiro. Aproveito o dia para tirar a ferrugem da aquarela depois de ter visto pela n-ésima vez ontem um documentário sobre o pintor Paul Klee. As aguadas serviram como aquecimento, um “polichinelo” para começar o dia.

aquarelas_low
Aquecimento matinal. Ainda voltarei à aquarela. Por enquanto só brincadeiras.

A principal razão de ter optado pelo apartamento em q estou morando é uma espécie de “avanço” na sala com uma boa janela, quase do teto ao chão. Aí montei a prancheta e faço meus estudos tradicionais – o computador ficou no quarto, mas ele também já visitou este espaço, numa espécie de rodízio q promovo de tempos em tempos.

A vista da janela não dá para uma paisagem paradisíaca, bucólica ou algo do gênero. Minhas posses não me permitem isso ainda. Todavia gosto do q vejo: as construções vão-se “achatando” e o efeito final é o de um mosaico de retângulos (algo tb comum em alguns dos quadros de Klee). Há tb telhados em disposição triangular, outro tema q me agrada, mas q são melhor vistos da janela do meu quarto.

Hj arrisquei retratar um pouco desse mosaico, nada ainda com cor, apenas me concentrando nas linhas e massas. Escolho um pedaço da vista e realizo um esboço rápido, fugindo à tentação de riscar detalhes. Em seguida, com nanquim e pincel, busco a síntese com linhas e  manchas. Meu objetivo não ė partir para pintura, mas uso o pincel para gerar texturas e preencher áreas de forma rápida. Ao final, tento abrir luzes com o nanquim branco. O resultado final me agradou. Outros estudos virão.

janela_final_low

Vale destacar q, embora eu tenha usado uma foto para ilustrar o post, o desenho foi feito observando diretamente a cena. Noto uma diferença muito grande entre qdo desenho a partir de uma foto ou do motivo “real”, sendo este último bem mais dificil, por causa da escala dos objetos, a própria ótica e outros fatores mais subjetivos. Em todo caso, as 2 situações são desafiadoras.

“Pela tela, pela janela”

1/2 marguerita, 1/2 portuguesa

Gosto de papel e lápis. Até pq eu cresci com isso, só havia isso. Fui ter contato com o digital voltado para o trabalho de desenho/ilustração já “macaco velho”. E mesmo assim foi um caminho lento e ainda cheio de adaptações. Para usar “tablet” (e me desculpem os mais novos porque o q hj é conhecido como mesa digitalizadora, há pouco tempo atrás se chamava tablet) eu levei um bom tempo e nunca consegui desenhar olhando pra tela e rabiscando sem olhar para o suporte. A área do cérebro q faria isso não se desenvolveu. Felizmente evoluímos, conheci a Cintiq e comprei uma tempos depois. Foi uma revolução na minha produção. E mais recentemente, investi um bom dinheiro para comprar um I-Pad Pro e o Procreate.

Quem conhece meu trabalho sabe q nunca fui um daqueles virtuoses da arte digital. Meu “phtotoshop” é mediano; trabalho mais com vetor e nem assim é algo assombroso. Ganho na quantidade, na perseverança e no cansaço.

Sempre tem nanquim, papel, guache, lápis, perto de mim. Sempre visito esses meios e não seria eu se não o fizesse. O desenho a seguir é uma prova desse casamento entre o tradicional e o digital: parte feito em papel e nanquim usando uma técnica de arte-final q divulguei aqui e parte da colorização (bem trivial) feita no Procreate.

O resultado eu publico depois pois ele é meio “surpresa”. Tentei subir um timelapse gerado pelo próprio Procreate, mas minha conta no WP não me dá direito a subir vídeos. Sorry.

Quem quiser ver, basta procurar meu perfil no instagram.

E por hoje é só, pessoal!

1/2 marguerita, 1/2 portuguesa

Inspiração

Nasceu! Meu primeiro vídeo em q apresento um pouco de uma técnica q utilizo para finalizar alguns dos meus desenhos no papel. Dividido em duas partes, uma teórica e uma prática, a ideia aqui não é fazer o internauta copiar a técnica, mas inspirar, motivar, estimular. Digo isso pq ver outras pessoas trabalhando me estimula a fazer o meu trabalho.

Portanto, assistam e inspirem-se!

Inspiração

Dos meus tempos de criança

Foi numa história em quadrinhos Disney. O tema era artes. Pouco lembro a história, os personagens, nada. Mas a lembrança dos “extras” ainda persiste. O gibi trazia algumas atividades q poderiam ser realizadas por crianças. Uma delas ficou na minha memória e até hoje eu me recordo. Já escrevi a respeito em uma postagem anterior, mas resumidamente trata-se de uma técnica q envolve giz de cera e tinta nanquim. Sobre o papel, rabisque manchas com o giz de cera. A seguir, cubra tudo com nanquim preto. Como o nanquim é à base água e o giz é oleoso, eles não vão se misturar. A tinta vai secar e ficar sobre o giz. Quando estiver seco, raspe a tinta devagar e a cor do giz será revelada. Simples assim.

Hoje eu faço minhas adaptações. Ao invés de giz de cera, uso pastel oleoso, q possui uma paleta um pouco mais rica q as cores do giz. E no lugar do nanquim eu uso guache preto. Para a raspagem, estilete, mas também consigo efeitos interessantes usando palha de aço para raspar a tinta.

Recentemente tirei as tintas, os pincéis e os papéis das caixas. Sobre a mesa/bancada improvisada, ideias vão ganhando forma novamente. Na contramão da tecnologia, as técnicas tradicionais trabalham os sentidos: a visão, o tato, o olfato, até a audição são impressionados.

 

Dos meus tempos de criança

Feriados, pastéis e Bombril

Na semana passada, de 19 a 25 de abril (se vc considerar q a semana começa no domingo e termina no sábado), tivemos o feriado de Tiradentes na terça-feira (q morreu na forca em 21 de abril de 1792), o q resultou em um “enforcamento” da segunda-feira e o “fim de semana” teve 4 dias. Retirando o sarcasmo do comentário, foi um tempo bom para estudar. Quando eu era criança, conheci uma técnica de gravura q me acompanha até os dias de hoje, com algumas adaptações minhas: tome uma folha ou um pedaço de papel (de preferência na cor branca e com uma gramatura superior ao “papel ofício”); aplique uma camada vigorosa de giz de cera sobre um dos lados do papel, preenchendo uniformemente a superfície; depois, cubra (usando um pincel) este mesmo lado do papel com tinta nanquim preta. No começo vc vai perceber q a tinta não “adere”, mas a cada pincelada, a tinta vai “vencendo a resistência” da cera e cobrirá o papel. Algum tempo depois, o nanquim seca e temos uma “matriz” sobre a qual podemos riscar levemente (usando uma “ponta seca”, como um estilete ou um prego, por exemplo), retirando o nanquim e revelando a cor do giz de cera utilizado. Fiz bastante coisa usando essa técnica e qdo estive na faculdade de desenho industrial, na UNEB, o NDesign realizado em Salvador teve seu material gráfico gerado a partir de ilustrações q empregaram esta técnica com maestria pelo amigo Sandro Limaverde. Dentre algumas experiências q fiz na técnica, troquei o giz de cera por pastel oleoso e usei tinta guache preta no lugar do nanquim. Outra coisa foi usar palha de aço (o conhecido Bombril!) como “riscador” e obter uma textura diferente. Também preservei algumas áreas sem aplicar a tinta nanquim e usei um papel melhor para os estudos.

De uma técnica “escolar”, é possível tirar resultados bastante interessantes, além de sentir “cheiro de infância”, uma vez q o pastel oleoso q usei tem o mesmo cheiro de giz de cera!

Feriados, pastéis e Bombril