Em terra de quem enxerga bem, o cego era “O Rei”

Prolífico: aquele que gera prole; fecundo.

Em dois livros diferentes, este é o adjetivo associado ao matemático suiço Leonhard Euler, que nasceu na Basiléia, em 15 de abril de 1707. E o adjetivo cai-lhe muito bem, pois em pelo menos duas coisas Euler era muito bom: em Matemática e… em fazer filhos! A prole do matemático chegou a 13 herdeiros. E era tão dedicado que muitas vezes trabalhava sua Matemática com um dos filhos sentado no colo.

Contemporâneo dos Bernoulli, família que produziu oito das mentes mais extraordinárias da Europa em três gerações, foi por intermédio de dois deles – Daniel e Nikolaus – que Euler pode largar o “sonho” do pai de ver o filho estudar teologia e se dedicar aos números.

O fecundo suíço escreveu mais de 800 artigos científicos e uma longa lista de livros. Suas contribuições vão desde o desenvolvimento do método de algoritmos à resolução de problemas ligados à navegação, finanças, acústica e irrigação. Também são dele importantes avanços na batalha para provar o Último Teorema de Fermat.

Em 1735, Euler resolve um problema de astronomia extremamente difícil. As péssimas condições de trabalho e intensa pressão custam-lhe a visão de um dos olhos, próximo a completar 30 anos de idade. Todavia o então “cíclope da Matemática” era dotado de uma capacidade mental surpreendente e fazia cálculos de cabeça com grande desenvoltura, além de possuir uma memória fenomenal. Estas habilidades quase “mutantes” ser-lhe-iam muito úteis no futuro, uma vez que anos mais tarde uma catarata no olho bom levaria o proeminente matemático à escuridão. O ano era 1776. Sem se abalar, continuou trabalhando até que em 18 de setembro de 1783 sofreu um derrame fatal.

O legado de Leonhard Euler está na razão inversa da quantidade de luz que entrava pelos seus olhos…

Em terra de quem enxerga bem, o cego era “O Rei”

A esponja

Aqui vai um texto sem imagens. Elas, as imagens, ficarão por sua conta.

Imagine q sua cabeça é um grande esponja.

Boa parte da vida nós passamos “encharcando a esponja”: fazemos cursos, assistimos a filmes, consumimos livros, vemos tv… Absorvemos bastante informação e tanto a quantidade como a velocidade de absorção aumentaram rapidamente. Eventualmente apertamos um pouco a esponja, mas o fluxo q sai, na maioria das vezes, não corresponde ao volume q entra. O resultado é uma saturação da mesma. Chega uma hora q não dá  para absorver mais nada e só nos resta ganhar espaço apertando a esponja vigorosamente. O q sai pode não ter um cheiro bom, afinal, ficou estagnado anos e anos, ficou parado, não fluiu. Diante disso, até recuamos no exercício, temendo o q sai. Todavia acho q não tem outro jeito. Quanto mais apertamos a esponja, mais colocamos o interior em movimento, livramo-nos do “velho” e ganhamos espaço para o “novo”. Mas a grande lição não é repetir o padrão de encharcar a esponja com as novas ideias, pois se assim procedemos, o resultado será novamente a saturação, uma repetição do ciclo. Cabe a nós receber e repassar, não permitindo q as ideias, as informações cristalizem, valorizando o fluxo, o movimento e não o acúmulo, a estagnação.

A esponja

O (meu) paradoxo das séries

Quem me conhece sabe q não sou dos melhores consumidores de séries. Mesmo assim, e graças ao largo desenvolvimento do gênero, é impossível ficar alheio ao movimento. Levo em consideração pelo menos dois quesitos qdo falo sobre séries: periodicidade e qualidade. Manter um bom ritmo de produção e ainda cuidar para não cair o nível não é tarefa fácil. Uma das coisas q sei nunca fui bom foi desenhar tirinhas. Exige disciplina acima de tudo. E vontade de continuar fazendo. Eu comecei algumas vezes, parei todas elas.

Paradoxalmente, gosto de fazer as minhas “séries”. Escolho um tema, investigo uma linguagem e faço algum trabalho. Geralmente são séries curtas, envolvendo mais design q desenho. Pra mim são “exercícios criativos”: meu único compromisso é exercitar. Todavia, uma dessas minhas “séries” é uma vencedora “pelo cansaço”. Há alguns anos, comecei a representar conceitos matemáticos de forma bem sintética, minimalista. Iniciei um tumblr, o MMC, e fui “alimentando” o blog com material “puxado da memória”. No começo foi fácil, eufórico. Cerca de 20 posts criados, montei uma animação de 1 minuto. Meu objetivo agora era chegar aos 50 posts. Quando finalmente atingi o número (pesquisando e sofrendo um pouco pra chegar lá!), diagramei um pôster com as imagens criadas até então. Divulguei o cartaz e o post foi o mais curtido do blog. Parti então para comercializar o pôster, colocando-o à venda em dois sites internacionais, o Society 6 e o Artflakes. Fiz também uma variação para canecas… e não é q consegui vender alguns produtos?

Tudo isso acontecendo em paralelo com outros projetos e trabalhos em q eu me envolvi. Já havia ultrapassado a marca de 50 imagens qdo montei o pôster. Meu objetivo agora era chegar a 100 imagens. Aqui vai uma observação interessante. 50 eh bem mais q o o dobro de 20. Em termos percentais, estamos falando de um aumento de 150%. Isto é muito mais q passar de 50 para 100, o q representa um acréscimo de 100%. Mas na prática, não é bem assim: para passar de 20 para 50, eu precisei fazer 30 imagens. Passar de 50 para 100 implicaria fazer MAIS 50!  Comentei acima q chegar à marca de 50 foi quase “um parto”. Devagar e sempre, comprometendo a tal da periodicidade (q não é o meu forte), fui caminhando de “grão em grão”. Tudo isso trabalhando sozinho… Recentemente retomei o contato com um professor de Matemática q conheci há alguns anos e q gostou muito do material do MMC. Da conversa q tivemos, uma “oxigenada” nas ideias e mais material para atingir o cabalístico número 100… Estou quase lá.

Acredito q nada acontece ao acaso. Qdo vc está envolvido em qualquer coisa, seus sentidos ficam afiados, em alerta constante. Seu poder de decifrar “sinais” fica mais forte. Repare q, se vc está interessado em comprar alguma coisa, vai “estranhar” uma maior quantidade de propaganda sobre a tal coisa. Na verdade foi seu sentido q ficou mais apurado, não a quantidade de propaganda q aumentou. Com criação acho q funciona semelhante. Dia desses estava dirigindo e passou por mim um carro da marca Audi. Rapidamente vi os 4 círculos da marca e imaginei-os de tamanhos diferentes e no mesmo centro. Tive a ideia para a imagem a seguir:

Uma outra imagem veio nas minhas noites de insônia, tentando dormir. Esta, para minha felicidade, está num importante site espanhol de divulgação da Matemática, o Divulgamat, como a imagem do mês de março de 2015. E quem me informou foi Antonio José Lopes Bigode, o professor de Matemática q citei acima, ou seja, nada por acontece por acaso.

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O (meu) paradoxo das séries

O caderno de ideias

Vc já se deu conta de q antes de ser a pessoa q é, fisicamente falando, tudo começou com a união de dois gametas formando uma única célula? A partir daí foi um processo contínuo e initerrupto para chegar à forma q vc é hoje. E o processo não parou ainda…

Muitas vezes, qdo me pego querendo refletir sobre alguns assuntos, recorro a analogias do “mundo concreto” para me dar pelo menos uma orientação. Pode ser q eu me engane redondamente, mas é um recurso.

Levando tudo isso em consideração, fico pensando q uma criação obedece a um pensamento parecido. O trabalho não nasce pronto na forma: ele começa de um ponto e segue um “DNA” até ganhar corpo. A célula inicial é a ideia, o momento da concepção. A partir daí ou vc escolhe facilitar o desenvolvimento dela, ou parte para um “aborto”…

Isso foi libertador pra mim, pois me desobrigou a querer fazer o “acabado” de pronto. E comecei a curtir os “rudimentos” das minhas ideias. Para q elas não se perdessem, desde muito tempo faço questão de ter cadernos de ideias. São mais q os conhecidos sketch books. Os meus possuem rabiscos, croquis, listas de compras, telefones, localizadores de passagem aérea, contas… mas acima de tudo: ideias. E o registro delas não é dos mais elaborados. As linhas são simples, ingênuas, primárias, vacilantes por vezes. A intenção é impedir q aquele momento de “concepção” se perca dentro do emaranhado de pensamentos e afazeres q me cercam durante o dia. Imagino q com muitos outros deve acontecer o mesmo.

cadernos

Deu vontade de escrever este post porque, ao retomar com as Figurinhas de linguagem, vi q algumas delas estavam na sua forma “embrionária” em blocos de papel. Acompanhar a evolução da ideia, desde o momento incial até a sua maturidade formal é muito prazeroso. Dentro da minha dinâmica interna, procuro tomar consciência das minhas “fases” para não entrar em parafuso: em dados momentos, tenho mais vontade de registrar as ideias do q dar corpo a elas. E fico temendo nunca mais querer terminar nada… Em outros momentos, bate o “bloqueio” e o medo de nunca mais ter ideia nenhuma… Nesta hora, o caderno das ideias me salva, pois eh como se eu percebesse q o “bloqueio” seria como o hora para amadurecer boa parte daquelas sementes q adormecem nas páginas dos cadernos. No final das contas, tudo acaba se arranjando, buscando o equilíbrio.

idea

O caderno de ideias

“- Science”. “- Arts”

Hoje, 22/02, é o dia da cerimônia do Oscar 2015. Resolvi batizar o post com um dos diálogos do filme sobre a vida do cientista Stephen Hawking e sua (ex) esposa. Não vi o filme ainda, mas parece ser a forma como os dois se conhecem e se apresentam na trama: o casamento da Ciência com a Arte.
Quando eu era criança, um dos meus sonhos era ser cientista. Fui daquelas crianças q mais estudou do q brincou, o conhecido CDF… Bom, acho q isso não se perde. Mas o fato é q estudar sempre teve uma importância e um valor muito grande na minha vida. Cresci cercado pelos livros de Matemática do meu pai, alguns tantos outros de Física e Química, um livro de sonetos do Vinícius (tinha uma capa em dourado e vermelho, q me atraía e muito), algum romance do Jorge Amado… Ainda hj qdo volto a Salvador e fico no apartamento onde cresci, os livros lá estão. Eu me deito na cama e levo um volume comigo. Corro sempre atrás de alguma ideia, alguma curiosidade. Na minha estante guardo e consulto os (poucos) livros de Matemática q faço questão de não me desfazer. Dia desses conversava com meu pai acerca do valor de se ter livros, apesar da internet, do e-book, do pdf lido no tablet… Tenho 2 sobrinhos… quero q eles gostem de livros também.

Foi na adolescência q eu deixei o sonho de ser engenheiro eletrônico e caí de cabeça nas Artes. Em essência, o trabalho de um cientista e de um artista não é muito diferente: ambos correm atrás do estudo, da experimentação, da investigação. O cientista debruça-se sobre tratados, teorias, utiliza um método de pesquisa, analisa, escreve, re-escreve… O artista tem nos seus pigmentos, papéis, metais, goivas, martelos, pincéis, cinzéis os instrumentos do seu “laboratório”; tem no legado de mestres do passado, na orientação de professores e colegas de estrada, na obra dos já consagrados o seu material de estudo. Ingênuo achar q o artista é movido apenas pela inspiração, pelo dom divino (tenho minha opinião a respeito do tema). Lembro de um documentário q mostrava o pintor Cezanne (se não me engano), arrumando os elementos de uma natureza morta para conseguir o melhor resultado, dentro de uma nova perspectiva de olhar e representar. Ali ele era um cientista da imagem.
Duas coisas podem nos fazer melhor do já fomos: a prática e a persistência. No sábado,  21/02, espalhei os papéis no chão do quarto, abri as tintas e me debrucei sobre eles. Num misto de estudo técnico, terapia e exercício de criatividade, Arte ainda é um dos meus melhores instrumentos de auto-conhecimento.

“- Science”. “- Arts”